
Documentos obtidos pelo gabinete do deputado estadual Mário Motta (PSD) junto à ViaCosteira e à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) indicam que um problema estrutural na Ponte Anita Garibaldi, em Laguna, já havia sido identificado em 2022, quatro anos antes da interdição total da estrutura, que aconteceu na última sexta (10).
Segundo os documentos apresentados pelo parlamentar, a primeira ocorrência foi registrada em outubro de 2022, durante uma inspeção de rotina realizada pela concessionária. Na ocasião, foram constatadas deficiências relacionadas ao comportamento estrutural do mastro 35 da ponte, incluindo aberturas entre aduelas e o rompimento de barras de ligação em uma parte da estrutura.
Em comunicação enviada ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e à ANTT naquele período, a ViaCosteira teria apontado que o cenário indicava risco à estrutura e atribuído a causa provável a um possível vício oculto da construção.
Como medida emergencial, a concessionária restringiu o tráfego na ponte e desviou veículos pesados para a Ponte das Cabeçudas, em Laguna. Na sequência, foram instalados cabos adicionais de protensão como reforço estrutural. Os trabalhos foram concluídos em outubro de 2022 e o tráfego foi liberado posteriormente.
Ainda conforme os documentos, a concessionária teria dado continuidade ao acompanhamento da estrutura nos meses seguintes, com instalação de novos conjuntos de protensão, previsão de testes de carga e busca por documentos técnicos da fase de construção da ponte.
Na semana passada, uma nova ocorrência levou à interdição total da Ponte Anita Garibaldi. De acordo com registros de reuniões entre a ANTT e a concessionária, foi identificada uma abertura de aproximadamente 2,5 milímetros entre aduelas no vão lateral do mastro 36.
Dias depois, um relatório técnico apontou o rompimento de cabos de protensão na região do apoio 35, mesmo ponto que havia recebido reforços em 2022. Segundo a documentação, a análise estrutural indicou que a capacidade resistente da seção não atendia integralmente às margens de segurança previstas para as cargas móveis de projeto.
A partir da recomendação de consultoria especializada, a ViaCosteira decidiu interditar completamente a ponte no dia 9 de julho de 2026, às 19h, com desvio do tráfego pela Ponte das Cabeçudas. Os trabalhos emergenciais começaram no dia seguinte, com previsão inicial de avaliação para liberação parcial após dez dias.
O deputado Mário Motta afirma que busca esclarecimentos sobre a sequência dos acontecimentos e questiona o intervalo entre a identificação do problema em 2022 e a nova falha registrada em 2026.
“O ponto mais grave é que o catarinense só ficou sabendo da situação quando a ponte já estava fechada”, declarou o parlamentar, que pretende reunir informações para avaliar possíveis encaminhamentos aos órgãos de controle.
A ViaCosteira informou que os reparos seguem em andamento e que a Ponte Anita Garibaldi permanece bloqueada para veículos. A concessionária afirma que a estabilidade da estrutura está preservada e que a intervenção ocorre para garantir a segurança durante os trabalhos.
