
O secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., indicado por Donald Trump para o cargo e conhecido por suas declarações céticas sobre vacinas ao longo dos anos, passou a recomendar publicamente que os pais vacinem seus filhos contra o sarampo, justamente no momento em que o país enfrenta o pior surto da doença em três décadas e meia.
Segundo dados do CDC atualizados em 6 de agosto, os Estados Unidos já registraram 2.465 casos confirmados de sarampo em 2026, número que supera os 2.289 casos contabilizados durante todo o ano de 2025. Em julho, o país já havia ultrapassado o total do ano anterior, somando 2.371 infecções confirmadas até aquele momento.
O cenário preocupa autoridades sanitárias porque os Estados Unidos haviam declarado o sarampo eliminado em 2000, após interromper a transmissão endêmica da doença no país. Com o avanço dos casos e a circulação contínua do vírus, associada à queda da cobertura vacinal, especialistas passaram a alertar para a possibilidade de o país perder essa condição, conquistada há mais de duas décadas.
A mudança de postura de Kennedy chamou atenção justamente por contrastar com seu histórico de questionamentos sobre a segurança e a eficácia das vacinas — histórico que remonta à sua atuação à frente do grupo antivacina Children's Health Defense, antes de assumir o comando do Departamento de Saúde e Serviços Humanos no governo Trump.
Em entrevista à CNN, no entanto, ele afirmou que os pais deveriam vacinar seus filhos contra o sarampo e reconheceu a eficácia da vacina tríplice viral (MMR), que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
