
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reagiu nesta quarta-feira (2) à pressão de senadores da oposição pela abertura do processo de impeachment contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, e usou o plenário para lembrar que o mesmo Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, também foi procurado para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.
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Ao ser cobrado pelo senador Carlos Portinho (PL-RJ), que pediu abertura imediata do processo contra Moraes, Alcolumbre respondeu: "Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar, todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado é só o ministro Alexandre de Moraes".
Mesmo sem citar nomes diretamente, a fala do presidente do Senado foi interpretada como referência ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, que teria solicitado a Vorcaro recursos para bancar a produção de "Dark Horse", longa autobiográfico sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Segundo apurações divulgadas pela imprensa, o valor girava em torno de R$ 134 milhões, negociados no início de 2025, e um novo repasse de US$ 1,6 milhão ao projeto teria ocorrido em setembro do ano passado, dias depois de o próprio Flávio cobrar de Vorcaro parcelas atrasadas.
A troca de farpas ocorreu em meio à divulgação de mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes, que constam em relatório da Polícia Federal, e que teriam motivado o banqueiro a buscar o ministro para tratar de investigações envolvendo ele e o Banco Master.
O episódio reacendeu os pedidos de impeachment contra Moraes, hoje somando 109 requerimentos na mesa do presidente do Senado, e levou Portinho a intensificar a cobrança: "Abra esse impeachment de uma vez por todas, presidente Davi. Essa é sua chance de entrar para a história pela porta da frente dos heróis da República, e não sair com Alexandre de Moraes pelos fundos porque ele sairá".
Alcolumbre, no entanto, não deu prazo para analisar os pedidos de afastamento do ministro. Parlamentares da oposição também apontam a existência de contratos entre o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e o Banco Master, que somariam até R$ 158 milhões, o que tem alimentado ainda mais o embate entre o Senado e o Supremo em torno do caso Master.
