
JEFFERSON FAZ DO NICHO VOTO DE VERDADE
Jefferson Monteiro colocou o nome na disputa por uma cadeira na Alesc pelo Republicanos. O advogado já sabe o que é eleição, inclusive o lado ruim dela, e agora tenta transformar a experiência acumulada em uma candidatura competitiva. Nesta semana, recebeu apoio de lideranças do setor de proteção veicular, categoria com a qual mantém atuação profissional. É um apoio legítimo, organizado e bastante específico. O candidato diz que faz a campanha baseado nesta bandeira e reitera a importância de Tubarão no ramo da proteção veicular.
BIA QUER MAIS
Bia Alves decidiu subir um degrau. Depois de passar pela Câmara de Capivari de Baixo, inclusive como presidente da Casa, agora disputa uma vaga na Assembleia Legislativa pelo Podemos. Durante o mandato, apresentou requerimentos e indicações e ajudou a trazer recursos para o município, entre eles o convênio com a Unisul que resultou em mais de 270 atendimentos médicos gratuitos. Agora começa outra eleição. Em Capivari, Bia conhece eleitor, vereador, liderança comunitária e o caminho até a porta da prefeitura. Na Alesc, terá de disputar espaço com candidatos de 295 municípios. O capital político municipal é uma boa largada.
AS MARGENS PLÁCIDAS DO IPIRANGA
A Câmara de Tubarão aprovou requerimento do vereador Maurício da Silva (PP) para pedir à CBF que cobre de clubes e jogadores respeito durante a execução do Hino Nacional. A preocupação é com o jogador acenando para câmera, beijando escudo, fazendo careta e outras heresias cívicas durante os poucos minutos em que deveria estar parado. É daquelas pautas que mostram onde o Legislativo municipal está colocando sua energia. Enquanto se discute a postura do jogador durante três minutos de cerimônia, há outros problemas locais que continuam esperando alguma coisa um pouco mais concreta. Imagino o ofício chegando na mesa da CBF e se acomodando em maio a uma pilha de outros papéis do Xaud.
BALAIO DE GATO
A pesquisa Quaest colocou Esperidião Amin com 19%, Carlos Bolsonaro com 16% e Carol de Toni com 12% na disputa pelas duas vagas de Santa Catarina ao Senado. Décio Lima apareceu com 9%. Como a margem de erro é de três pontos, Amin, Carlos e Carol estão tecnicamente embolados. O cenário mostra uma eleição aberta e com três nomes disputando o mesmo espaço político. Amin tem a vantagem de ser conhecido e ter uma longa trajetória. Carlos Bolsonaro carrega o sobrenome mais forte da direita nacional. Carol de Toni disputa o mesmo eleitorado. E Décio corre por fora. Faltando ainda muito chão até a eleição, ninguém mandou imprimir faixa de campeão.
LULA NÃO PASSEIA
Lula continua aparecendo na frente em boa parte dos cenários de primeiro turno, mas a eleição está longe de ser aquela caminhada tranquila que o governo gostaria de vender. Inclusive, a campanha do presidente está modorrenta e preguiçosa. O maior problema está no segundo turno. Pesquisa Gerp divulgada em 26 de agosto colocou Flávio Bolsonaro com 47% contra 42% de Lula em um confronto direto. Foram 2.400 entrevistados, com margem de erro de dois pontos. É uma diferença que não pode ser tratada como fotografia definitiva da eleição, mas também não dá para fingir que não existe. O primeiro turno permite ao eleitor escolher. O segundo obriga a decidir entre dois. Lula não pode contar com a ideia de que liderar o primeiro turno significa levar o segundo no bolso.
CURY E O ELEITOR COMUM
Augusto Cury em uma sabatina é quase uma mistura de consultório, palestra motivacional e campanha presidencial. Mas o que mais me chamou atenção nesta semana não foi uma frase dele. Foram três mulheres conversando num ponto de ônibus e dizendo que votariam nele porque, segundo elas, só um psiquiatra saberia cuidar de “um país de loucos”. Na pesquisa Quaest divulgada nesta semana, Cury apareceu com 10% das intenções de voto, atrás apenas de Lula, com 37%, e Flávio Bolsonaro, com 30%. Na BTG/Nexus, chegou a 11%. Na Atlas/Intel, marcou 7,8%. De repente, o psiquiatra virou o terceiro colocado. Realmente, um país de loucos.
MORAES, NÃO DÁ MAIS
O horizonte de eventos é o ponto de não retorno de um buraco negro. Depois de cruzá-lo, nenhuma informação, matéria ou luz consegue voltar para o Universo exterior. Moraes chegou ao horizonte de eventos de Daniel Vorcaro. O relatório da Polícia Federal que André Mendonça tirou do sigilo detalha pelo menos seis encontros entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes entre fevereiro de 2024 e abril de 2025, além de mensagens em que o banqueiro chegou a perguntar ao próprio ministro se deveria fugir do país. O documento também aponta que Moraes editou pessoalmente o contrato de R$ 131 milhões fechado entre o Banco Master e o escritório de advocacia da própria mulher, Viviane Barci de Moraes. Ou renúncia, ou impeachment. Mas a gente sabe que nenhuma dessas coisas vai acontecer.
A HORA DE MENDONCA
André Mendonça decidiu abrir o sigilo dos autos justamente quando o caso Vorcaro-Moraes explodiu no debate nacional. O conteúdo veio a público, e o ministro ainda defendeu que os novos elementos sejam analisados pelo plenário do STF, em sessão pública. Até aí, transparência. O problema é quando se olha para o relógio, Lineuzinho. Mendonça tinha o direito de retirar o sigilo. Por que agora? O material atinge diretamente um colega de Corte já pressionado e chega em um momento de enorme tensão política. Outro detalhe: o próprio Mendonça admitiu ter recebido Daniel Vorcaro uma vez, em março de 2025, segundo ele, para tratar de precatórios. Nada disso prova uma conspiração. Mas também não obriga ninguém a fingir que o momento é irrelevante. Em Brasília, o conteúdo de uma decisão importa; o momento em que ela acontece importa tanto quanto.
A RISADA DO STF
Na quarta-feira, poucas horas depois de o relatório sobre Vorcaro vir a público, um fotógrafo do Globo flagrou Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Edson Fachin rindo e conversando descontraidamente nos corredores do STF, enquanto André Mendonça deixava o plenário sozinho, sem cumprimentar ninguém. A reação nas redes foi imediata. Enquanto o país discute se um ministro pode continuar julgando depois de manter conversa direta com o alvo de uma megaoperação, os ministros posam sorrindo para a câmera, como se a crise fosse de outra galáxia. É de uma falta de noção da realidade perturbadora. Ao menos fingissem.
FICOU PARA DEPOIS
A escala 6x1 avançou nesta semana: a CCJ do Senado aprovou a PEC que reduz a jornada para 40 horas e garante dois dias de descanso, sem corte salarial. Agora, a proposta precisa passar pelo plenário, mas a votação foi adiada em meio à falta de acordo. Enquanto Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, chama de “burros” os defensores da mudança, o debate segue tratado como guerra contra o trabalho. Não é. Quem trabalha seis dias por semana também merece ter vida fora dele. A produtividade não deveria servir apenas para produzir mais, mas também para permitir que o trabalhador viva melhor. O que ninguém deveria precisar aceitar é uma rotina em que o emprego ocupa quase todos os dias da vida. Empresas terão de se adaptar? Evidentemente. Alguns setores terão custos maiores? Provavelmente. Mas desenvolvimento econômico não pode ser medido apenas pela quantidade de horas que alguém permanece disponível para produzir.
