
A decisão que transformou uma prova em um ato de humanidade aconteceu na última segunda-feira (20), durante a reta final da tradicional Maratona de Boston, nos Estados Unidos. A poucos metros de alcançar seu melhor tempo, o brasileiro Robson Gonçalves de Oliveira avistou o norte-americano Ajay Haridasse em colapso e optou por parar.
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O momento ganhou força quando o britânico Aaron Beggs também interrompeu a corrida para ajudar. Juntos, os dois corredores sustentaram Haridasse até a linha de chegada, cruzando os três lado a lado sob aplausos do público.
Robson, de 36 anos, é operador de máquinas em uma indústria metalúrgica de São Bernardo do Campo e concilia a rotina intensa de trabalho — muitas vezes até de madrugada — com a dedicação às corridas de rua. Pai de uma filha com deficiência auditiva, ele afirma que a decisão foi guiada pela fé e pelo senso de empatia.
Nas redes sociais, o brasileiro relatou que tudo aconteceu em segundos e que chegou a pedir a Deus que alguém também parasse para ajudar. Ao ver Beggs interromper a prova, entendeu que não estava sozinho. “Dois são mais fortes do que um”, escreveu.
O gesto repercutiu internacionalmente, com veículos estrangeiros chamando os corredores de “heróis” da maratona. Mesmo sem atingir o tempo desejado, Robson destacou que o momento foi maior do que qualquer marca pessoal e já projeta voltar à prova em 2027 para tentar quebrar a barreira das 2h40.
Após o feito, ele retornou ao Brasil e, nesta quarta-feira (22), seguiu direto do aeroporto para o trabalho, levando consigo não apenas a experiência de mais uma maratona — a décima da carreira —, mas o reconhecimento de um ato que simboliza o verdadeiro espírito esportivo.
