Quem encontra Juliana Loffi, 35 anos, pela primeira vez não acredita que ela faz quimioterapia. Afinal, todo mundo pensa que pessoas em tratamento de câncer não sorriem, estão abatidas e deprimidas. No mundo de Ju, esse conceito caiu por terra no dia em que recebeu o diagnóstico do câncer no joelho, pela primeira vez, em 2012, aos 27 anos.
Guiada pelo otimismo e determinação, decidiu provar que a doença não é motivo para desanimar da vida.
Em 2012, a conceituada arquiteta de Tubarão recebeu o diagnóstico de um câncer no joelho. Passou por quimioterapia, radioterapia, cirurgia e todo o tratamento com leveza e amor próprio. Ela chegou a participar do Projeto Rocha, criado por um estúdio fotográfico da região. Juliana foi a primeira mulher tubaronense fotografada careca.
Depois de uma longa jornada, a cura foi finalmente alcançada, momento em que a profissional visou formas de retribuir essa força e gratidão às mulheres criando o evento Vou de Rosa. A terceira edição ocorreu ano passado com a participação de 380 mulheres. A ação traz conscientização e ainda contribui com entidades de apoio às mulheres com câncer.
Vaidosa e atenta aos cuidados com a saúde, Juliana seguiu sua vida e, oito anos depois, ao fazer uma atividade física, descobriu a presença de um novo câncer na região do joelho. Um sarcoma ósseo na tíbia, consequente de uma mutação genética de uma célula por conta da última radioterapia. Algo raro de acontecer, segundo os médicos. A reincidência do câncer não abalou a confiança da profissional.
Após o diagnóstico em junho, Juliana Loffi iniciou os tratamentos com quimioterapia em um hospital de Curitiba e tenta seguir sua rotina sem se deixar levar pelo lado negativo da situação. “Para me manter otimista, procuro tentar levar a vida o mais normal possível e não pensar na doença, pelo contrário, ser positiva. As pessoas tendem a se vitimizar nesse momento. Tento me esforçar para não deixar me levar pelo lado negativo”, conta.
Ela comenta que o pensamento tem grande influência nesse processo e se manter ativo é fundamento para a recuperação. Por isso, a arquiteta continua sua rotina de trabalho e busca não focar na doença. “Levo meu computador para o hospital, atendo meus clientes por videoconferência e faço de tudo para participar ao máximo de todos os projetos do meu escritório”, ressalta.
Beleza e autoestima
Juliana considera importante manter a vaidade em todos os momentos. Ficar de pijama durante o dia está fora de cogitação para ela. “Pijama é só para dormir. Ao acordar já faço minha maquiagem, coloco uma roupa bonita, mesmo para ficar em casa. Isso faz me sentir ativa, que estou bem.”
Além dos cuidados estéticos, a profissional encontrou uma maneira descontraída para encarar a perda dos longos cabelos loiros. Ao iniciar o tratamento, ela registrou o momento do corte com a presença da família e os profissionais de beleza em um vídeo animado. “Procurei fazer de uma maneira divertida com a minha família pra fazer o registro e poder inspirar outras mulheres que estão passando por isso. Problema todo mundo tem, vai da gente viver isso ou resolver. Se não tem como resolver, conviver da melhor maneira possível. Não quero perder tempo de vida, quero viver bem”, destaca. Ela diz que um dos lados positivos foi ter conhecido novas pessoas e receber o carinho e apoio de seus amigos. “Meu marido e minha família estão me dando muito apoio. Recebi muitas mensagens e carinho de muitos amigos. Me senti especial e amada”, comemora.
O tratamento continua com sessões de quimioterapia em um hospital especializado em Curitiba, suporte de médicos em Florianópolis e ainda passará por uma próxima etapa com consultas em São Paulo, pois passará por uma cirurgia para a retirada de um pedaço do osso onde está o tumor e a implantação de uma endoprótese no local afetado. “O tratamento está sendo um sucesso. Os médicos dizem que deixo o hospital alegre. Tenho costume de levar música, faço uma festa. Não é porque estou no hospital que não posso transformá-lo em um ambiente alegre, divertido, com boas energias”, enfatiza.
