
São muitos os boatos de como é o dia a dia de um soldado. Tortura. Abusos. Privações. Isso contribuí para o aumento da dúvida daqueles que, por exemplo, já estão cursando uma faculdade ou estudando para concursos. Afinal, o serviço militar pode vir a tornar-se um empecilho na caminhada de estudos. Entretanto, os conhecimentos e atividades militares ajudam no amadurecimento dos jovens e também ensinam, através de uma experiência única, lições sobre as mais diversas situações.
A jornada dos soldados começa de manhã cedo. Logo que acordam, arrumam o alojamento, vestem suas fardas e seguem para o rancho – nome dado ao refeitório. Durante o decorrer do dia são submetidos a treinamentos para melhorar o condicionamento, o chamado TFM – Treinamento Físico Militar. Também há os momentos de instrução, quando aprendem a manusear armamentos, e o momento da ordem unida, onde são treinados a marchar de forma sincronizada.
Paulo Vinicius Lúcio, ex-soldado do 63º Batalhão de Infantaria, em Florianópolis, concorda que as atividades militares tornaram a sua rotina acadêmica exaustiva e, por esse motivo, trancou a faculdade no segundo semestre, durante o período que serviu. Entretanto ressalta que, apesar das dificuldades, a experiência militar foi positiva e repleta de aprendizado. “É vibrante saber que, no fundo, os soldados são uma força que pode mudar o país e perceber o olhar diferente das pessoas quando te veem. As risadas no serviço de guarda, faxina, instruções, campos e no alojamento são parte importante, senão o maior peso, que faz a balança pender para o lado bom”, destaca.
De acordo com o ex-soldado, uma vez estando dentro do Exército Brasileiro o homem nunca mais volta a ser o mesmo. Afinal toda essa experiência, que só é possível para aqueles que encaram o serviço militar, prepara os jovens fardados não só para a guerra, mas também para a vida. Momentos difíceis é claro que existiram. “Mas no final tudo vale a pena, desde o internato até as dezenas de guardas tiradas. A convivência com outras pessoas diferentes, as amizades com espirito de companheirismo e os acontecimentos diários que te fazem “rachar o caneco, “abrir a canjica” – rir”, finaliza.
