
Uma disputa jurídica envolvendo a Igreja Universal do Reino de Deus teve seu desfecho nesta quinta-feira (13). A organização religiosa havia feito um pedido na Justiça para proibir outra instituição de utilizar nomes, marcas e símbolos semelhantes aos seus.
A Universal disse à Justiça que a Igreja das Nações do Reino de Deus, criada em maio do ano passado por um ministro dissidente, estava tentando confundir os fiéis com o objetivo de obter "vantagens econômicas indevidas" por meio de doações. A Justiça de São Paulo negou o pedido feito pela Igreja Universal do Reino de Deus.
Além do nome "Reino de Deus", a Igreja das Nações utiliza, assim como a Universal, uma pomba como símbolo, assim como a expressão "Jesus Cristo" no logotipo das fachadas e altares dos templos. "São utilizados os mesmos aspectos gráficos, fonéticos e ideológicos, sem nenhum símbolo ou imagem para a diferenciação, o que causa extrema confusão", escreveu a Igreja Universal no processo.
A Universal citou no processo que a pomba da Igreja das Nações é "praticamente idêntica" à sua, diferindo apenas na direção do voo e no fato de que uma está inserida num coração (a da Igreja fundada por Edir Macedo em 1977), enquanto a outra está dentro de uma cruz.
A Igreja das Nações, na defesa apresentada à Justiça, afirmou que Romualdo Panceiro "nunca teve a intenção de ludibriar as pessoas, mas, sim, de propagar a palavra de Deus". Disse que "Reino de Deus" é um termo bíblico e que a Universal não pode se apropriar de algo "que é tão importante aos cristãos". Não pode haver "monopólio", declarou.
A pomba, da mesma forma, é, de acordo com a Igreja das Nações, um signo importantíssimo para a fé cristã, pois remete ao batismo de Jesus Cristo. No processo, citou um trecho da Bíblia. "Batizado, Jesus subiu imediatamente da água e logo os céus se abriram e ele viu o Espírito de Deus descendo como uma pomba e vindo sobre ele."
O juiz Luis Felipe Ferrari Bedendi deu razão à Igreja das Nações. Disse que não houve reprodução ou imitação integral das marcas da Universal e que os termos utilizados são comuns ao ramo religioso, citando as palavras "Igreja" e "Deus". A Universal ainda pode recorrer da decisão.
