
O casal Sebastião Padilha, 62, conhecido Tião, e Márcia Terezinha da Cruz, 52, são os proprietários do Hard Dog, o famoso lanche que é vendido há 27 anos em Tubarão. O casal tem uma relação que os clientes conhecem bem de perto: “O Tião é mais quietinho. Eu já sou mais agitada. As pessoas sabem. Vez ou outra a gente começa uma discussão aqui, o povo acha muito engraçado”, conta Márcia, sobre a rotina ao lado do marido. "Eu piso por cima, ele deixa pisar e não fala nada", brinca ela. Todo mundo conhece a resposta humorada do Tião: "Ela pode falar. Entra por aqui e sai pelo outro lado" e aponta para o ouvido.
Uma história que começa na juventude
Casados há 35 anos, a história do casal começa muito antes da Cidade Azul, quando se conheceram. “Eu morava em Lages e ele em São Joaquim, tinha uns 15 quando eu fui à casa dele, era menina. Daí depois a gente namorou uns três ou quatro anos e casamos”, conta ela. A ideia para fazer um cachorro-quente só veio mais tarde. “Já casados morávamos em Cocal do Sul e ele trabalhava com azulejo. Como meu tio já fazia lanches nós dois resolvemos tentar também”, conta Márcia.
Primeiro Márcia e Tião tinham um pequeno carrinho com guarda-sol, como de picolé. “Fazia chuva, fazia sol, estávamos nós com o guarda-sol. Não era fácil”. Depois veio a Kombi e a Iveco, que têm até hoje. Vendiam em frente ao Clube 7, na Avenida Patrício Lima, depois ficaram cinco anos em frente ao Itaú e há oito foram para o terreno atrás da rodoviária velha, onde em que estão até hoje.
Foi uma evolução gradual: de dez pães vendidos por dia, hoje a média mensal é de 8 mil. “Todo tipo de cliente já passou pela nossa barraquinha. Desde crianças, que viraram adolescentes, depois se formaram na escola, na faculdade, e hoje são médicos ou advogados. Mas também tem jovem, velho, rico, pobre. Todo tipo de gente mesmo. E clientes bem tradicionais, de anos, que ainda voltam e compram aqui”.
Um Família com história
Quando pequenos, os filhos de Márcia e Tião os ajudavam no cachorro-quente. Eles têm dois: o Diego, de 32 anos, que é filho biológico e o Renan, de 22, que é adotivo. Do mais velho, há um netinho de dois anos e meio que está em Criciúma e o casal visita quando há um tempo livre, o que não é muito. Na visão de Márcia, a vida profissional e pessoal se misturam muito. “A gente trabalha muito. Tanto que quando há convites para festas ou casamentos, geralmente recusamos. Pois todo final de semana o compromisso é com o Hard Dog”.
O filho adotivo de Márcia e Tião veio de uma vontade que eles tinham de ter dois e de um momento de dor. “Quando eu tinha 24 anos, tive um filho que morreu depois de 24 horas. Só que eu tinha feito uma ligadura e não poderia ter mais. Foram oito anos que ficamos avaliando até tomarmos a decisão de adotarmos o menino”. Renan tinha apenas três dias quando virou oficialmente um membro da família. “Lembro da dificuldade, tinha o de 8 anos e mais um pequenininho. Lembro de estarmos trabalhando muito, enquanto um deles dormia dentro da Kombi”. Do esforço e suor, eles cresceram saudáveis, começaram a trabalhar em outras áreas e hoje a família está bem e estruturada.
Momentos marcantes
Para o futuro, ambos desejam pouco, apenas que as coisas melhorem. “Queremos uma vida boa para os nossos filhos e continuar tocando aqui até ficamos velhinhos”, finalizam.
