
Na casa modular de 80 metros quadrados, que abriga todos os cômodos necessários, construída no pátio da CASACOR SC Florianópolis, Juliana expressa na arquitetura um pouco da vivência e dos sentimentos que afloraram durante as duas vezes que enfrentou o câncer, nos últimos 10 anos.
“Como este ano a mostra ocorre em outubro, mês da campanha do Outubro Rosa - de conscientização sobre o câncer de mama -, pensei em compartilhar, a partir do meu trabalho, uma arquitetura atual, com foco na individualidade de cada pessoa. Lidar com a doença me fez refletir muito sobre isso e foi fundamental no meu processo de cura”, ressalta.
A casa, construída em estrutura de aço, ganhou placas modulares de gesso internamente e placas cimentícias do lado de fora. São materiais para construções leves. Fibras de lã de rocha e de polipropileno garantem o isolamento térmico e acústico. Em vez da solda, que é muito comum nestas obras, a profissional optou por um sistema de encaixe e parafusos. Ou seja, mais prática de montar e também desmontar. Desde a fundação, fechamentos à instalação de elétrica, hidráulica e acabamentos foram 15 dias de trabalho, na prática. A ideia, segundo a autora do projeto, é apresentar ao público uma solução de arquitetura nômade, renovável, que se adapte ao estilo de vida do morar contemporâneo, evitando o mínimo de descarte e desperdício
Uma casa rosa
A construção da casa no pátio da edificação centenária que abrigou a Escola Silveira de Souza, local da CASACOR SC Florianópolis em 2022, atrai olhares já pela cor, que remete à campanha do Outubro Rosa e levanta a bandeira pelo cuidado da mulher. Para Juliana Loffi, a cor revela o estado de espírito que a vida, muitas vezes, desperta nas pessoas. O projeto “Vou de Rosa”, iniciativa criada pela arquiteta com o objetivo de ajudar instituições que atuam no tratamento do câncer, é muito marcante. Para comunicar este sentimento, ela pintou o exterior do imóvel de rosa e fez surgir a então “Casa Vou de Rosa”.
“A cor rosa do lado de fora já comunica que o visitante está entrando em um espaço diferente, e que ele pode esperar algo de novo dentro do ambiente”, pontua.
Aliás, durante a mostra, a arquiteta lança uma coleção de mobiliário, desenhada por ela. As peças enaltecem linhas orgânicas e de usos flexíveis, como uma bancada de maquiagem, uma mesa de jantar acompanhada de um sofá, um bar, uma mesa de cabeceira, uma cama, um carrinho de chá, um closet articulado e prateleiras.
"A coleção foi desenvolvida no momento em que estava internada no hospital em tratamento do câncer. Em vez de escrever, o que fez mais sentido foi a criação das peças. Pensei em tudo que poderia ajudar a elevar a minha autoestima. No que poderia ajudar a criar bons momentos, como olhar no espelho, colocar uma roupa legal, receber os amigos", explica.
Quando se trabalha com uma casa, literalmente, montada, como se fosse um lego, a arquitetura ganha um salto, na opinião da arquiteta. Isso porque o morador pode levar o seu ninho na “bagagem”. Muda de cidade, de lugar, mas a casa vai junto, com as mesmas características e com o mínimo de desperdício. “É uma arquitetura que estimula a sensação de pertencimento do lugar que habitamos, que tem a nossa identidade”, finaliza Juliana Loffi
