
Um dos eventos religiosos mais tradicionais de Santa Catarina, a Procissão do Senhor dos Passos chega à sua 134ª edição em Tubarão. A manifestação de fé, que começou com os primeiros habitantes da cidade — majoritariamente de origem portuguesa e açoriana —, tornou-se um marco no calendário cultural e espiritual do município.
Organizada pela Catedral Diocesana, a celebração reúne todos os anos uma multidão de devotos que acompanham a imagem de Jesus Cristo carregando a cruz pelas ruas centrais da cidade. A estimativa para este ano é que cerca de 20 mil pessoas participem, segundo o pároco padre Eduardo Rocha.
A programação inicia neste sábado, dia 5, com a Procissão Luminosa. A caminhada parte às 20h15 do Hospital Nossa Senhora da Conceição e segue até a Catedral, em um percurso marcado por orações e silêncio, que marca o início das celebrações.
No domingo, 6 de abril, acontecem dois momentos centrais da festividade. Às 16h, a imagem de Nosso Senhor dos Passos sairá da Catedral, enquanto, simultaneamente, a imagem de Nossa Senhora das Dores deixará a Paróquia São José Operário, no bairro Oficinas. Ambas seguirão em direção ao centro, onde se encontrarão por volta das 17h, diante da Catedral. É ali que ocorre o Sermão do Encontro — considerado o ponto mais simbólico da procissão —, que neste ano será proferido pelo padre Willian Fernandes, reitor do Seminário Diocesano.
Uma tradição que atravessa o tempo
Para o padre Eduardo, o ritual mantém um significado profundo para a comunidade. “É um gesto de fé que atravessa gerações. Representa o caminho de Jesus até o Calvário, acompanhado de sua mãe, e simboliza também as dores do povo. É por isso que tantos se identificam com esse momento”, explica.
O título “Senhor Bom Jesus dos Passos” faz referência ao trajeto de Cristo desde a condenação até o sepultamento — uma tradição que surgiu na Idade Média com os cruzados, que reproduziam esse percurso em suas cidades após retornarem da Terra Santa.
Como tudo começou em Tubarão
A história da devoção no município remonta a 1889, quando o monsenhor alemão Francisco Xavier Topp encomendou do Rio de Janeiro duas imagens em tamanho natural: uma de Nosso Senhor dos Passos e outra de Nossa Senhora das Dores. Elas chegaram a Tubarão em 1891, e desde então a procissão nunca deixou de ser realizada.
Mais de um século depois, a caminhada de fé segue como uma das expressões mais fortes da religiosidade local, reunindo fé, emoção e tradição no coração da cidade
