
Documentos de auditorias privadas obtidos pelo grupo CheckNews revelam que o sistema de segurança do Museu do Louvre, em Paris, operava com falhas graves havia anos — incluindo o uso da senha “Louvre” para acessar o sistema de vigilância por vídeo. As informações vieram à tona após o assalto ao museu, ocorrido em 19 de outubro de 2025, que resultou no roubo de oito peças da coleção de joias da coroa da França.
Na manhã do crime, quatro ladrões mascarados utilizaram uma cesta elevatória montada em um caminhão para alcançar uma janela da fachada do museu voltada para o rio Sena. O grupo entrou na galeria de joias conhecida como Galerie d’Apollon, onde estão guardadas peças históricas do acervo real. A ação durou entre quatro e sete minutos, em plena luz do dia, e os criminosos fugiram antes da chegada da polícia.
Foram levadas oito joias de valor histórico e artístico incalculável, avaliadas em cerca de 88 milhões de euros. Uma das peças, a coroa da imperatriz Eugénie, chegou a ser encontrada abandonada e danificada nas proximidades, mas o restante do tesouro ainda não foi recuperado. De acordo com a promotoria de Paris, nenhuma das joias roubadas foi localizada até o momento, e mais de cem investigadores participam das buscas.
As auditorias apontam que os problemas de segurança do museu são antigos. Relatórios internos do Ministério da Cultura francês já identificavam um cenário de “obsolescência generalizada”, com softwares sem atualização e sistemas de vigilância ultrapassados. Entre eles está o Sathi, programa criado pela empresa Thales em 2003 para supervisionar câmeras e controlar o acesso às dependências do museu, que deixou de receber manutenção em 2019.
O uso da senha “Louvre” para acessar o sistema de segurança reforça o quadro de negligência administrativa. Após a divulgação dos documentos, a ministra da Cultura da França, Rachida Dati, admitiu pela primeira vez que houve “falhas de segurança” no museu. Até então, o governo francês vinha negando qualquer vulnerabilidade estrutural relacionada ao assalto.
O episódio causou forte repercussão internacional e colocou em xeque a gestão da segurança de um dos museus mais visitados e emblemáticos do mundo, levantando questionamentos sobre como um patrimônio de tamanha importância pôde permanecer vulnerável por tantos anos.
