
O Brasil trabalha mais por semana do que países frequentemente citados como referência de produtividade e cultura de trabalho, como Estados Unidos, Japão, França e Itália, segundo levantamento internacional sobre horas trabalhadas. A média brasileira é de 40,1 horas semanais, superior às 38,6 horas dos norte-americanos e às 35,5 horas dos japoneses.
Os dados integram ranking organizado pelo economista Daniel Duque, do FGV Ibre, a partir de um banco global estruturado por Amory Gethin, do Banco Mundial, e Emmanuel Saez, da Universidade da Califórnia em Berkeley. O levantamento reúne informações de 160 países e cobre cerca de 97% da população mundial, com base em dados de organismos como a OIT e o Banco Mundial.
Na comparação direta entre 87 países, o Brasil aparece na 38ª posição, com 40,1 horas semanais — acima de nações desenvolvidas da Europa Ocidental. A França registra média de 31 horas (78ª posição), a Itália 34,1 (66ª), a Dinamarca 29,5 (84ª), a Noruega 27,8 (85ª) e a Holanda 27,6 (86ª). Mesmo a Argentina, com 37,3 horas, apresenta jornada inferior à brasileira.
O contraste também se evidencia em relação aos Estados Unidos, cuja média semanal é de 38,6 horas, colocando o país na 47ª posição do ranking. No Japão, frequentemente associado a longas jornadas, a média é de 35,5 horas, situando o país na 57ª colocação — quase cinco horas a menos que o Brasil.
Globalmente, a média de horas trabalhadas em 2022 e 2023 foi de 42,7 horas semanais. Embora países como Butão (56,1 horas) e Sudão (50,8) liderem o ranking, o Brasil mantém carga horária superior à de várias economias avançadas que figuram entre as mais admiradas do mundo em termos de organização produtiva.
No entanto, quando o recorte é produtividade, o cenário revela um desafio estrutural: o Brasil ocupa a 94ª posição entre 184 países no ranking mundial da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O trabalhador brasileiro produz, em média, US$ 21,2 por hora — patamar muito inferior ao dos Estados Unidos (US$ 81,8) e do Japão (US$ 52,7), além de ficar atrás de vizinhos latino-americanos como Uruguai (US$ 38), Chile (US$ 34,4), Argentina (US$ 33,8) e Cuba (US$ 22,6).
O indicador, destacado pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), considera o PIB dividido pelo total de horas trabalhadas, formais e informais. Especialistas apontam que o entrave não está na dedicação de tempo ao trabalho, mas na baixa qualificação média, no acesso limitado à tecnologia e na necessidade de mais investimentos em inovação e capacitação para elevar competitividade, salários e qualidade de vida.
