
A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã pode trazer reflexos para o agronegócio catarinense, especialmente para a produção de milho. O possível impacto está relacionado à dependência brasileira de fertilizantes importados da região do Oriente Médio.
De acordo com o gerente comercial da Federação das Cooperativas Agropecuárias de Santa Catarina (Fecoagro), Jairo Loose, cerca de 50% da ureia importada pelo Brasil tem origem no Oriente Médio. O produto é amplamente utilizado nas lavouras de milho como principal fonte de nitrogênio.
O bloqueio do Estreito de Ormuz anunciado pelo Irã na segunda-feira (2) suspendeu o envio do fertilizante com destino ao Brasil. Conforme Loose, caso a situação se prolongue, o abastecimento interno pode ser afetado entre abril e maio. Diante desse cenário, a orientação é que produtores rurais se antecipem no planejamento das compras para evitar impactos maiores na próxima safra.
Segundo ele, ainda não é possível afirmar que haverá escassez imediata do produto, mas um conflito prolongado pode resultar em restrições no fornecimento e aumento significativo nos preços, elevando os custos de produção.
O engenheiro agrônomo da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Evandro Spagnollo, explica que o milho depende fortemente do nitrogênio para se desenvolver. Como a ureia é a principal fonte desse nutriente utilizada nas lavouras, a falta do fertilizante pode comprometer seriamente a produtividade, com perdas que podem chegar a até 80% da safra.
Como alternativa em períodos de alta nos custos ou escassez do produto, Spagnollo destaca o uso de dejetos animais, que também possuem boa concentração de nitrogênio. Quando manejados corretamente, esses resíduos podem atender parte das necessidades da cultura com menor custo.
A possível redução na produção de milho também pode afetar a cadeia pecuária. O cereal é base da alimentação de suínos, aves e bovinos. Caso a safra diminua, pode haver aumento na necessidade de importação do grão, o que tende a elevar os preços de produtos como carne, leite e ovos.
