
Aos 17 anos, o tubaronense Kauã Braga Mendes conquistou o primeiro lugar em um concurso da Defensoria Pública de Santa Catarina, resultado de uma rotina intensa de estudos iniciada ainda na adolescência. Natural de Tubarão, ele vive atualmente em São José. A decisão de prestar concurso veio cedo, aos 14 anos, quando Kauã passou a estruturar uma rotina disciplinada com foco em cargos públicos na área do Direito. Desde então, segundo ele, o caminho foi marcado por renúncias e por um objetivo claro. “É preciso ter propósito definido e entender que será necessário abrir mão de muita coisa para chegar lá”, afirma.
A preparação foi baseada em um método considerado clássico entre concurseiros da área jurídica: estudo da lei seca, análise de jurisprudência, leitura de doutrina e resolução constante de questões. Kauã destaca que nunca negligenciou conteúdos, mesmo aqueles com menor incidência em provas. “Sempre busquei entender os assuntos de forma completa, sem deixar lacunas”, explica.
Além disso, ele adotou estratégias como o chamado “estudo reverso”, que consiste em iniciar o aprendizado pela resolução de questões antes da teoria, permitindo identificar com mais precisão os pontos mais cobrados. Cursos específicos para carreiras como delegado e promotor, além de estudos em direitos humanos, também fizeram parte da preparação.
Conciliar os estudos com a escola exigiu organização. Kauã afirma que concentrava as atividades escolares no próprio período em sala de aula para evitar acúmulo em casa. O lazer, por outro lado, foi reduzido, embora não abandonado completamente. Filmes e esportes eram usados como forma de descanso mental, considerados por ele importantes para manter o desempenho cognitivo.
O apoio familiar teve papel decisivo ao longo da jornada. Filho de pai e madrasta concursados, Kauã encontrou dentro de casa o incentivo e o exemplo necessários para seguir no mesmo caminho. Mãe e avós também contribuíram com suporte emocional durante a preparação.
A aprovação em primeiro lugar trouxe sensação de realização, mas também novos desafios. Mesmo confiante no desempenho, Kauã relata que aguardou o resultado final com cautela, especialmente pela concorrência com candidatos mais experientes e com títulos acadêmicos. Após a confirmação, precisou lidar com questões burocráticas, como a idade mínima, já que ainda não havia completado 18 anos.
Este foi o primeiro concurso público efetivo prestado por ele. Antes, havia realizado provas como o Enem, vestibulares e processos seletivos técnicos, nos quais também obteve bons resultados. Atualmente, além de já atuar na Defensoria, Kauã concilia trabalho, faculdade de Direito e continuidade nos estudos para concursos de maior complexidade.
Nos planos profissionais, o objetivo permanece claro: seguir avançando na carreira jurídica. Ele mantém uma rotina intensa, acordando às 5h para estudar antes do trabalho e da faculdade. A atuação na Defensoria, segundo ele, tem significado especial pelo contato direto com pessoas em situação de vulnerabilidade. “Poder ajudar dentro dos limites da lei é algo que me preenche”, destaca.
