
FALTA DE EDUCAÇÃO
Dois cruzamentos, duas cidades, um problema. No Centro de Capivari de Baixo, a Av. Nereu Ramos com a Rua João Ernesto Ramos registrou três colisões em um dia; num deles o motorista fugiu. Em Tubarão, a rótula da Pedro Zapelini com a Teodoto Tonon também teve três acidentes no começo do mês. Ontem, um teste foi realizado numa tentativa de diminuir os acidentes no local: cones foram colocados para simular uma rotatória com área maior, forçando os motoristas a reduzirem. Há sinalização, placas, boa iluminação. O problema, às vezes, é apenas humano mesmo.
PROBLEMA HUMANO
Nesta semana, duas situações tristes aconteceram tendo o Rio Tubarão como pano de fundo. Na primeira, mais uma pessoa atentou contra a própria vida e foi encontrada no Rio pelo Corpo de Bombeiros. Saúde mental deve ser uma das principais pautas políticas nas próximas décadas. Não adianta cuidar do material e ignorar o humano. A segunda situação: uma capivara supostamente ferida por balas de chumbinho, em plena área central da cidade. Se for confirmado,crueldade pura. E não se trata de algo “pequeno”. Recentemente, no RJ, homens foram identificados, presos e multados em R$ 20 mil cada após agredirem uma capivara. Uma cidade também é definida pela forma como as pessoas cuidam umas das outras — e também pela forma como tratam quem não pode se defender.
TEM QUE SER PAUTA
“Sua macaca medonha”, disse uma mulher a uma trabalhadora venezuelana, em horário de serviço em Tubarão. “Preta desgraçada”, foi o xingamento dito a uma criança de 12 anos numa escola de Tubarão. Além disso, outro estudante fez comentários ofensivos sobre o cabelo da vítima e imitou um macaco. Racismo e xenofobia tem de ser pauta nas conversas, nos debates políticos na Câmara de Vereadores e na Prefeitura. Na semana passada,tivemos um projeto tratando da proibição de mulheres trans no esporte e outro sobre cortar o bolsa família de pessoas em situação de rua que não aceitam ressocialização; isso sem qualquer ocorrência do tipo na cidade. De racismo e xenofobia, tivemos três em menos de um mês. É de se pensar.
FESTA NA CIDADE
Tubarão comemora seus 156 anos em grande estilo e traz um mês de maio repleto de atrações. Enquanto o Tubarão Geek Festival e o Unisul Rock Legends abre espaço para um público mais nichado, o show nacional com Grupo Chocolate mira um apelo mais popular. No campo econômico e institucional, a Feira Agropecuária cumpre um papel estratégico ao aproximar o setor produtivo e movimentar a economia local. Já no esporte, o clássico entre Hercílio Luz Futebol Clube e Clube Atlético Tubarão carrega um simbolismo especial. No conjunto, a programação, além da celebração, vai funcionar como um termômetro de engajamento da cidade.
GUARDA OU POLÍCIA?
Quando alguém fala em ‘guarda’, me remete ao guarda Belo, da Turma do Manda-Chuva. Aquele bonachão que fiscaliza a vizinhança e se espezinha com os gatos malandros do beco. Para mudar essa imagem, muitas cidades, como Tubarão, tentaram mudar a nomenclatura da Guarda Municipal para Polícia Municipal. Pois terão de recauchutar os adesivos: o STF decidiu nesta semana que os municípios não podem alterar a denominação de suas guardas municipais para “Polícia Municipal” ou expressões equivalentes. Tubarão e as demais cidades que adotaram a nomenclatura terão de recuar na forma e encontrar outras maneiras de sustentar, na prática, a autoridade e a presença da guarda nas ruas.
ESQUERDA SE ORGANIZA
Aconteceu na quinta (16) em Florianópolis o lançamento da pré-candidatura de Gelson Merísio (PSB) ao Governo do Estado. A composição da chapa reforça um movimento de diálogo, com a presença de Ângela Albino (PDT) como vice, além de nomes como Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL) ao Senado, mostra um esforço de equilibrar experiência política com representatividade de diferentes correntes da esquerda. Aparecida da Silva, de Laguna, aparece para a segunda suplência de Boppré e cumpre um papel de capilaridade regional. Do outro lado, duas fortes candidaturas de direita que certamente vão dar bastante trabalho para o grupo.
A RÉGUA DAS PALAVRAS
O ministro Alexandre de Moraes determinou a abertura de um inquérito contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), por supostamente ter caluniado Lula. O caso remonta a uma publicação de Flávio do dia 3 de janeiro, em que atribui ao presidente a prática de diversos crimes. “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…”, diz o post. Toda crítica é válida e não pode ser censurada. Mas há limites, e aqui não é nem questão política. Internet não é terra sem lei. Ninguém ia gostar de ser chamado de traficante. Nem um traficante.
NEM O PAPA ESCAPA
Trump parece odiar tudo que não é espelho. Nem mesmo o Papa Leão XIV escapou de receber uma extensa crítica do presidente dos EUA. O pontífice foi acusado de “fraco no combate ao crime” e “péssimo em política externa”. Trump não fez uma crítica pontual, foi um ataque político e pessoal ao líder da Igreja Católica. O Papa reagiu às críticas dizendo que “não teme” Trump nem seu governo e reforçou que a Igreja deve agir com base em princípios, não em pressões externas. Para Trump, o Papa não pode nem pedir paz. Não para um inimigo dos EUA.
