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23/04/2026 22h25

Artigo: Programa cultural de SC “bate meta” em horas e levanta dúvidas sobre critério e transparência

Encerramento relâmpago do edital gera questionamentos sobre avaliação técnica e fiscalização no uso dos recursos públicos
Artigo: Programa cultural de SC “bate meta” em horas e levanta dúvidas sobre critério e transparência

Depois de um ano fechado, o Programa de Incentivo à Cultura de Santa Catarina finalmente reabriu e mostrou uma eficiência digna de aplausos… ou de investigação. Com um orçamento robusto de R$ 75 milhões, o sistema foi encerrado poucas horas após a abertura. Rápido assim.


A Fundação Catarinense de Cultura (FCC) celebrou o feito como prova do sucesso da iniciativa. E, de fato, é impressionante: em questão de horas, todo o recurso já estava comprometido. Fica apenas um detalhe incômodo: quando exatamente houve tempo para analisar os projetos?


A lógica apresentada parece simples: atingiu o teto, fecha o sistema. O problema é que, nesse ritmo, a seleção pública se parece mais com uma corrida de 100 metros rasos do que com um processo criterioso de avaliação cultural. Quem largou na frente, levou. Quem piscou, ficou de fora.
 

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A pergunta que não quer calar e, convenhamos, nem deveria ofender, é: se não houve tempo para análise, todo mundo que conseguiu se inscrever está automaticamente aprovado? E se houver projetos frágeis, mal estruturados ou até inconsistentes, passam também? Ou a análise vem depois, como um mero detalhe burocrático?


Para muitos agentes culturais, o episódio soa menos como política pública e mais como um jogo de cartas marcadas daqueles em que alguns já sabem exatamente quando e como jogar. Afinal, o dinheiro é público, mas a sensação é de que os “contemplados” já estavam, no mínimo, melhor posicionados na largada.
 

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O que deveria ser um processo democrático, transparente e acessível acaba se transformando em um evento relâmpago, onde vencer depende mais da velocidade do clique do que da qualidade do projeto. E assim, mais uma vez, a cultura dá lugar à pressa e o interesse público, à conveniência.


Enquanto isso, fica a expectativa: haverá uma análise séria posteriormente ou o critério já foi cumprido ser rápido o suficiente? Em Santa Catarina, ao que tudo indica, incentivo à cultura também exige reflexos apurados.


Larisa Hemkemeier Webber de Mello


Coordenadora Estadual da ABCR - Associação Brasileira de Captadores de Recursos
 


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