Sábado, 25 de abril de 2026
Facebook Instagram Twitter Youtube TikTok E-mail
48 3191-0403
Geral
24/04/2026 11h15

Projeto criado em Laguna resulta em livro com alunos da periferia de Uberlândia

Ao longo de sua trajetória, o Poesia que Transborda, Transforma já passou por mais de 30 municípios, em seis estados brasileiros
Projeto criado em Laguna resulta em livro com alunos da periferia de Uberlândia

Há mais de uma década, a literatura tem sido ferramenta de transformação social nas mãos do escritor e produtor cultural Preto Lauffer. Desde 2015, quando criou o projeto Poesia que Transborda, Transforma, em Laguna (SC), ele vem levando palavras, escuta e expressão para espaços onde, historicamente, o acesso à cultura é limitado: comunidades periféricas, alas psiquiátricas, penitenciárias, bibliotecas públicas e outros territórios marcados pela vulnerabilidade.

 

Em 2025, o projeto alcançou mais um marco importante. Por meio de uma parceria com o SESC, Lauffer chegou a uma das comunidades com maiores índices de vulnerabilidade social de Uberlândia (MG). Foi nesse território que nasceu o primeiro livro do projeto, uma obra construída coletivamente, reunindo poemas autorais de jovens estudantes do Ensino Médio da Escola Estadual Lourdes de Carvalho.

 

A publicação surge em um contexto desafiador. O Brasil perdeu cerca de 5 milhões de leitores entre 2019 e 2024, segundo a Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro. Entre os jovens, o cenário também preocupa: apenas cerca de 10% dos estudantes de 15 a 16 anos enfrentaram leituras mais longas, enquanto dois terços não ultrapassaram 10 páginas. Ainda assim, 67% afirmam gostar de ler, revelando um interesse que existe, mas que muitas vezes não encontra estímulo ou identificação.

 

A desigualdade agrava ainda mais esse quadro. Jovens de baixa renda têm até 55% menos chance de dominar habilidades básicas de leitura, e quase metade dos estudantes mais pobres está abaixo do nível mínimo esperado, evidenciando um abismo educacional que atravessa o país.

 

É nesse cenário que o livro Poesia que Transborda, Transforma — edição E.E. Lourdes de Carvalho, Uberlândia (MG) ganha ainda mais relevância. Mais do que páginas encadernadas, a obra representa um processo coletivo de escuta, criação e reconhecimento. Durante as oficinas, os estudantes foram convidados a escrever sobre suas próprias vivências, transformando experiências em poesia e reafirmando sua capacidade de narrar o mundo a partir de suas próprias perspectivas.

PUBLICIDADE

O projeto rompe com a ideia de que literatura é privilégio. Aqui, ela é ferramenta e direito. Cada jovem que escreve neste livro não apenas aprende a ler, ele passa a reescrever sua própria história.

 

A obra foi viabilizada com financiamento da ADUFU (Associação dos Docentes da Universidade Federal de Uberlândia), por meio da Diretoria Executiva da Gestão Florescer nas Lutas, e conta com o apoio da Editora Juriti e do Instituto Lagunense do Patrimônio Histórico, Artístico, Cultural e Ambiental Jerônimo Coelho.

O professor da unidade escolar, Gabriel Pimentel, também destaca o impacto da experiência: “Como professor, fui transformado pela vivência. A oficina confirmou a lição de Paulo Freire e Bell Hooks: educar é ir além da transmissão de informações, é construir com os estudantes processos de crescimento humano e intelectual. Vi jovens silenciados se tornarem voz, vi poesia brotar da dor e do afeto, mostrando que educar é também se deixar educar pelo outro. Ali, a palavra se fez resistência, esperança e transformação.

 

A fala do educador evidencia o que muitas estatísticas não conseguem mensurar: o impacto profundo da educação quando ela é atravessada pela escuta, pelo afeto e pela construção coletiva. Mais do que uma oficina, o que se construiu foi um território de confiança, onde a literatura deixou de ser obrigação e passou a ser possibilidade.

 

Ao longo de sua trajetória, o Poesia que Transborda, Transforma já passou por mais de 30 municípios, em seis estados brasileiros, consolidando-se como uma iniciativa que democratiza o acesso à literatura e promove a formação cultural em territórios diversos

 

Segundo Preto Lauffer, é impossível falar deste livro sem se atravessar por ele. Porque o que está impresso nessas páginas não é só poesia, é vida em estado bruto. É a potência de uma juventude periférica que, mesmo diante de todas as ausências, escolhe criar, sonhar e existir com intensidade

É sobre ver esses jovens ocupando um lugar que historicamente lhes foi negado: o de autores de suas próprias narrativas. Eu falo disso com emoção porque sei o quanto esse protagonismo muda destinos.

PUBLICIDADE

Quando um jovem periférico entende que sua voz importa, que sua história merece ser contada e que sua palavra tem valor, a gente não está só formando leitores, a gente está formando futuros.

 


HC Notícias
48 3191-0403
48 9 8806-3734
Rua Altamiro Guimarães, 50
88701-300 - Centro - Tubarão/SC
Hora Certa Notícias © 2019. Todos os direitos reservados. Política de Privacidade

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições.