
O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (5) o relatório que recomenda a suspensão por 60 dias do mandato do deputado federal Zé Trovão (PL-SC). A punição decorre da participação do parlamentar na ocupação da Mesa Diretora em agosto de 2025, durante protesto que visava pressionar a votação de anistia para os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.
Além de Zé Trovão, também tiveram a suspensão recomendada os deputados Marcos Pollon (PL-MS) e Marcel Van Hattem (Novo-RS). O parecer aprovado foi elaborado pelo deputado Moses Rodrigues (União-CE), que endureceu a punição inicialmente sugerida pela Mesa Diretora — de 30 para 60 dias de afastamento. Zé Trovão foi punido por 15 votos a 4.
Na ocasião da ocupação, o grupo tentou impedir o então presidente da Câmara, Hugo Motta, de assumir a condução da sessão. Segundo o parecer aprovado, a atitude configura quebra de decoro parlamentar. A ocupação durou cerca de 30 horas, e a Polícia Legislativa chegou a ser acionada durante os trabalhos.
Durante a sessão, Zé Trovão chorou ao apresentar sua defesa e disse que o impacto da possível suspensão vai além da vida política, citando funcionários do gabinete que, segundo ele, dependem do salário para sustentar suas famílias. "Eu não estou com o coração apertado por ter ou não ter o mandato suspenso por dois meses. O que me dói são as famílias ao meu redor", afirmou.
Zé Trovão chegou a afirmar que, "se for preciso tomar a Mesa novamente em algum momento da história", voltaria a fazê-lo. Marcel Van Hattem classificou o processo como "perseguição política", enquanto Pollon atacou o STF e afirmou que o Brasil viveria um "estado de exceção".
A decisão do Conselho de Ética ainda precisa ser analisada pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e, depois, pelo plenário da Câmara. Se afastados, os três deputados não perdem seus mandatos, mas ficam impedidos de exercer suas atividades legislativas — como votar em pautas de interesse da oposição — e não recebem salário durante o período determinado.
