
Entre Laguna e Jaguaruna, no litoral sul catarinense, existe um cemitério submerso de embarcações que poucos conhecem. São 72 naufrágios mapeados só na região da Amurel — parte de um total de 234 catalogados pela Marinha do Brasil em toda a costa catarinense. Os dados são do arqueólogo e historiador Alexandro Demathé, mestre em Gestão do Patrimônio pelo IPHAN/UERJ, que dedicou anos ao levantamento histórico da região do Cabo de Santa Marta.
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E a história começa bem antes do que se imagina. A embarcação naufragada mais antiga das Américas fica em Santa Catarina. É a Nau La Provedora, capitaneada pelo espanhol Diego Flores de Valdês, que afundou em 1583 nas proximidades da praia de Naufragados, em Florianópolis. A flotilha havia partido da Espanha rumo ao Estreito de Magalhães — e nunca chegou lá.
Diferente do que o imaginário popular sugere, a maioria dos afundamentos na região não tem relação com guerras ou explosões. Mau tempo, correntes, bancos de areia e a famosa pedra da laje de Jaguaruna — que fica quase na linha d'água — respondem pela maior parte das tragédias. O Farol do Cabo de Santa Marta, inaugurado em 1891, foi construído justamente para sinalizar esse perigo. Mas para muitos navios, chegou tarde demais.
Alguns desses naufrágios são visíveis até hoje. Com água clara, é possível avistar o Navio Catalão, de 1908, perto da Praia do Cardoso, e o Navio Aldabi, de 1937, no Farol do Cabo de Santa Marta. Na Praia da Esplanada, em dias de mar calmo, aparecem os ferros da embarcação alemã Sieglind, do século XIX. Um patrimônio histórico que está bem aqui, esperando ser descoberto.
