
Às onze da manhã desta terça (12), Ed Motta entrou pela porta da 15ª Delegacia de Polícia do RJ carregando algo mais pesado do que sua coleção de vinis: dois inquéritos abertos em seu nome. O episódio que o trouxe até ali aconteceu na madrugada do dia 2 de maio, no Grado, um restaurante no bairro Jardim Botânico, que o cantor diz frequentar há cerca de nove anos.
Ele e seu grupo levaram sete garrafas de vinho para o local, consumiram cinco delas ao longo da noite e pagaram uma conta que ultrapassou os oito mil reais. Até aí, uma noite de padrão. O problema veio na hora da taxa.
Assista:
Ed sempre levava sua própria garrafa e, em nenhuma ocasião anterior, lhe havia sido cobrada a taxa de rolha, tendo em vista o elevado consumo. Naquela noite, no entanto, o gerente informou que a cobrança seria aplicada: cem reais por garrafa aberta. Cinco garrafas. Quinhentos reais extras. O cantor afirmou que se sentiu "chateado e desprestigiado".
Segundo funcionários do restaurante, o músico iniciou os xingamentos, dizendo que iria embora "antes que fizesse alguma coisa" com um dos garçons, a quem teria chamado de "paraíba". Depois, teria esbarrado em uma mesa próxima, derrubado a bolsa de uma cliente e arremessado uma cadeira. Depois, deixou o estabelecimento.
Um dos homens que o acompanhavam, Nicholas Guedes Coppini, teria partido para cima de outro cliente, desferido um soco e lançado uma garrafa contra ele — uma garrafa magnum, de um litro e meio, que bateu na parede e estilhaçou, ferindo uma pessoa.
Na delegacia, Ed Motta apresentou sua versão. Negou ter ofendido qualquer funcionário e disse que não teve a "intenção de acertar qualquer pessoa" ao arremessar a cadeira no salão. A cadeira, portanto, foi arremessada; só não teria sido em direção a ninguém. Uma distinção que os advogados certamente apreciarão.
Sobre o termo "paraíba", o artista afirmou que as acusações são "sem qualquer fundamento" e alegou ser "neto de baiano e bisneto de cearense". E foi além: argumentou que, como "negro e gordo", repudia qualquer tipo de preconceito.
O cantor prestou dois depoimentos: um como testemunha, no inquérito de lesão corporal, e outro como investigado, no caso de injúria por preconceito. Nicholas Guedes Coppini responde separadamente pela agressão e pelo lançamento da garrafa.
A taxa de rolha, para quem não sabe, é uma prática comum e legal em restaurantes. Custa, em média, de cinquenta a cem reais por garrafa trazida de fora do estabelecimento. Menos do que um advogado criminalista.
