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Geral
12/05/2026 18h30

'Sou negro, gordo e sem preconceito', diz Ed Motta ao negar ofensas contra garçom no Rio

Cantor vai à delegacia, nega xenofobia e explica que é negro, gordo e incapaz de preconceito
'Sou negro, gordo e sem preconceito', diz Ed Motta ao negar ofensas contra garçom no Rio

Às onze da manhã desta terça (12), Ed Motta entrou pela porta da 15ª Delegacia de Polícia do RJ carregando algo mais pesado do que sua coleção de vinis: dois inquéritos abertos em seu nome. O episódio que o trouxe até ali aconteceu na madrugada do dia 2 de maio, no Grado, um restaurante no bairro Jardim Botânico, que o cantor diz frequentar há cerca de nove anos. 

 

Ele e seu grupo levaram sete garrafas de vinho para o local, consumiram cinco delas ao longo da noite e pagaram uma conta que ultrapassou os oito mil reais. Até aí, uma noite de padrão. O problema veio na hora da taxa.

 

Assista:



Ed sempre levava sua própria garrafa e, em nenhuma ocasião anterior, lhe havia sido cobrada a taxa de rolha, tendo em vista o elevado consumo. Naquela noite, no entanto, o gerente informou que a cobrança seria aplicada: cem reais por garrafa aberta. Cinco garrafas. Quinhentos reais extras. O cantor afirmou que se sentiu "chateado e desprestigiado". 

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Segundo funcionários do restaurante, o músico iniciou os xingamentos, dizendo que iria embora "antes que fizesse alguma coisa" com um dos garçons, a quem teria chamado de "paraíba". Depois, teria esbarrado em uma mesa próxima, derrubado a bolsa de uma cliente e arremessado uma cadeira. Depois, deixou o estabelecimento.

 

Um dos homens que o acompanhavam, Nicholas Guedes Coppini, teria partido para cima de outro cliente, desferido um soco e lançado uma garrafa contra ele — uma garrafa magnum, de um litro e meio, que bateu na parede e estilhaçou, ferindo uma pessoa.

 

Na delegacia, Ed Motta apresentou sua versão. Negou ter ofendido qualquer funcionário e disse que não teve a "intenção de acertar qualquer pessoa" ao arremessar a cadeira no salão. A cadeira, portanto, foi arremessada; só não teria sido em direção a ninguém. Uma distinção que os advogados certamente apreciarão.

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Sobre o termo "paraíba", o artista afirmou que as acusações são "sem qualquer fundamento" e alegou ser "neto de baiano e bisneto de cearense". E foi além: argumentou que, como "negro e gordo", repudia qualquer tipo de preconceito.

 

O cantor prestou dois depoimentos: um como testemunha, no inquérito de lesão corporal, e outro como investigado, no caso de injúria por preconceito. Nicholas Guedes Coppini responde separadamente pela agressão e pelo lançamento da garrafa.

 

A taxa de rolha, para quem não sabe, é uma prática comum e legal em restaurantes. Custa, em média, de cinquenta a cem reais por garrafa trazida de fora do estabelecimento. Menos do que um advogado criminalista.


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