
Uma flor rara encontrada nos paredões da Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina, tem chamado a atenção de pesquisadores por sobreviver em um dos ambientes mais extremos do Sul do Brasil. A Hysterionica pinnatisecta, conhecida popularmente como margarida-das-nuvens, é considerada uma espécie única e vive em áreas de altitude cobertas por neblina, frio intenso e ventos fortes.
Diferente da maioria das flores, a margarida-das-nuvens não cresce em solo comum. Ela se desenvolve em fendas de rochas verticais, principalmente na região de Lauro Müller, onde enfrenta temperaturas negativas e rajadas de vento que podem ultrapassar os 100 km/h.
A espécie é considerada endêmica da Serra Geral, ou seja, existe apenas em áreas de altitude entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Mesmo havendo alguns registros em território gaúcho, as maiores colônias monitoradas ficam em solo catarinense.
Além da beleza delicada, a planta possui importância ambiental. Por depender de condições climáticas muito específicas, ela funciona como um indicador natural das mudanças no ecossistema da serra. Alterações na umidade, no regime de geadas ou intervenções humanas podem afetar diretamente sua sobrevivência.
Atualmente, a margarida-das-nuvens está classificada como “Criticamente em Perigo” na lista nacional de espécies ameaçadas de extinção e também aparece como vulnerável em Santa Catarina.
Para preservar a flor, o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina atua em parceria com pesquisadores e órgãos estaduais no monitoramento das áreas onde ela ocorre naturalmente. Em vistorias realizadas na Serra do Rio do Rastro, equipes identificaram ameaças como o avanço do tapete-inglês, uma planta invasora que compete por espaço e luz com a espécie nativa.
Os pontos onde a margarida-das-nuvens floresce também foram mapeados para evitar impactos causados por obras e manutenções na rodovia SC-390, que corta a região serrana catarinense.
