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30/06/2026 14h13

Influenciador que disse que pobres não deveriam votar é processado pelo MP; VÍDEO

Ministério Público de São Paulo pede R$ 300 mil em indenização e a retirada do perfil de Leonardo Marcondes, que soma mais de 1,3 milhão de seguidores no Instagram
Influenciador que disse que pobres não deveriam votar é processado pelo MP; VÍDEO

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) moveu uma ação civil pública contra o influenciador digital Leonardo Marcondes, conhecido nas redes sociais como "Léo Marcondes" e autointitulado "treinador financeiro", após ele defender publicamente que pessoas pobres não deveriam ter direito ao voto. A ação foi protocolada na última quinta-feira (25) pela Promotoria de Justiça de Direitos Humanos da Capital paulista.

 

O caso teve origem em um vídeo publicado por Marcondes no Instagram em 26 de dezembro de 2025, um dia após o Natal. Na gravação, ele questiona o direito de pessoas em situação de pobreza participarem das eleições: "Você já parou pra pensar que pobre não devia ter direito de votar? Pensa comigo. Uma pessoa que é pobre, ela não soube tomar boas decisões pra ter o melhor pra sua família e pra si mesma."

Veja:
 

Em outro trecho, o influenciador associa a condição econômica à incapacidade de decidir sobre os rumos do país: "Qual que é a habilidade que essa pessoa tem ao tomar decisões? Nenhuma. É uma pessoa que não deveria votar." Ele chega a defender que o poder de decisão do país ficasse concentrado nas mãos dos ricos, "até que o pobre, ele ficasse rico pra que ele conseguisse ter o poder de tomar decisões também".

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Para o promotor responsável pelo caso, Ricardo Manuel Castro, as declarações configuram aporofobia — termo usado para descrever a aversão, o desprezo ou a discriminação contra pessoas por sua condição socioeconômica.

 

Segundo a Promotoria, a conduta de Marcondes não é um episódio isolado: o processo cita outras publicações em que ele associa pessoas pobres à preguiça, à falta de higiene e à incapacidade de tomar boas decisões, incluindo falas sobre pobres "não gostarem de trabalhar no feriado" e supostamente não merecerem outros direitos básicos.

 

A ação argumenta que o direito ao voto é expressão fundamental da cidadania e do sufrágio universal, e que qualquer forma de exclusão política baseada em critério econômico fere princípios constitucionais como igualdade, dignidade humana e regime democrático. O MP-SP sustenta ainda que a liberdade de expressão não protege discursos de ódio que estigmatizam grupos vulneráveis.

 

 

Além de mover a ação contra o influenciador, o MP-SP incluiu a Meta, empresa responsável pelo Instagram, como parte do processo. Entre os pedidos da Promotoria estão:

 

  • retirada do vídeo e de todo o perfil de Marcondes do Instagram, que reúne mais de 1,3 milhão de seguidores;
  • proibição de novas publicações com conteúdo considerado discriminatório contra pessoas pobres, sob multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento;
  • preservação, por um ano, dos dados da conta para fins de prova;
  • conclusão obrigatória, em até um ano, de um curso de letramento sobre inclusão social, com carga mínima de 30 horas e conteúdo específico sobre aporofobia;
  • pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos e dano social, valor que seria revertido ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos.


A ação teve origem em informações encaminhadas pelo Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (Gecradi), que identificou conteúdo discriminatório nas publicações do influenciador.

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Leonardo Marcondes se apresenta como ex-atleta profissional de vôlei, com passagem pela Itália, e hoje atua como coach, palestrante e empresário no ramo de educação e "treinamento" financeiro. Ele afirma ter superado dívidas pessoais de mais de R$ 500 mil para construir um patrimônio milionário, e hoje vende cursos, mentorias e um "clube de enriquecimento" voltados a desenvolvimento pessoal e finanças.


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