
A candidata a deputada estadual pelo PT Maristela Francisco afirmou que pretende levar ao Parlamento catarinense uma pauta pouco explorada nas eleições: a segurança pública sob a perspectiva da valorização dos profissionais e do fortalecimento da estrutura das polícias. A declaração foi dada em entrevista ao colunista Bento, do HC Notícias.
Veja o trecho:
Ex-policial civil, Maristela disse que sua trajetória na área lhe permite discutir o tema com conhecimento técnico e criticou o que classificou como um "discurso fácil" adotado por parte dos candidatos ligados à segurança pública. A candidata também fez críticas à condução da política de segurança do governo de Jorginho Mello (PL). Segundo ela, a divulgação de armamentos e veículos policiais cria uma percepção positiva, mas não enfrenta as principais deficiências do sistema.
"Depois de pensar em tudo o que estão falando nos últimos meses do governo Jorginho Mello, que é mostrar fuzil nas redes sociais, na imprensa, mostrar as viaturas, que inclusive vêm com verba do governo federal, e parece que tentam ocultar isso, nós temos que fazer uma segurança pública que valorize o policial, seja ele civil, penal, militar, da inteligência ou da perícia técnica, que é a Polícia Científica. Nós temos que valorizar os profissionais que atuam na segurança pública, e isso começa pela humanização do trabalho. Porque, com delegacias defasadas, sem policiais, de que adianta ter um monte de viatura nova, um monte de fuzil, se não tem sequer treinamento para todos os policiais que trabalham dentro de uma delegacia usarem esse fuzil?"
Maristela defende que o enfrentamento da criminalidade deve ocorrer em diferentes frentes, desde o combate às organizações criminosas e ao tráfico de drogas até os crimes patrimoniais, virtuais e a violência que afeta diariamente a população. "É preciso combater o crime organizado, mas também os crimes que fazem a população viver com medo no bairro, na cidade. Isso exige inteligência, investigação e planejamento", aponta.
Ao abordar a proteção às mulheres vítimas de violência, Maristela citou a realidade de Tubarão como exemplo da falta de estrutura. "Quando se fala em violência contra a mulher, muitos defendem criar mais delegacias especializadas funcionando 24 horas. Mas, em Tubarão, a Delegacia de Proteção à Mulher atende do meio-dia às 19 horas. Fora desse período, os casos são encaminhados para a Central de Plantão Policial, que também enfrenta baixo efetivo", explica.
Para a candidata, ampliar o número de unidades sem garantir servidores e estrutura não resolve o problema. "Não adianta construir delegacias se não houver policiais suficientes para trabalhar nelas. Segurança pública exige investimento em pessoas, treinamento e inteligência, não apenas em equipamentos", conclui.
