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29/08/2026 10h10

Coluna do Bento: o suposto voto pela Amurel, o santinho que veio do Rio e a blusinha de Lula

Toda sexta-feira, os destaques da Política da região, de Santa Catarina e do Brasil
Coluna do Bento: o suposto voto pela Amurel, o santinho que veio do Rio e a blusinha de Lula

WI-FI PARA TODOS

A Câmara de Tubarão aprovou o projeto que autoriza a implantação de Wi-Fi gratuito em praças e espaços públicos da cidade. A ideia é boa e, melhor ainda, não prevê que a prefeitura coloque a mão diretamente no bolso para pagar a conta. A empresa vencedora da licitação poderá explorar publicidade para bancar a operação. O projeto ainda precisa passar pelo prefeito Estêner Soratto. É o tipo de projeto que parece pequeno, mas hoje em dia, internet é como água. Ninguém vive sem. Quando foi o último dia que você passou sem internet? Pois é. Não é só um capricho.

 

REMÉDIO NA MÃO

Em Capivari de Baixo, a Câmara derrubou por unanimidade o veto do prefeito e garantiu para a cidade o Programa de Garantia de Abastecimento de Medicamentos Essenciais, que assegura ao morador o acesso imediato a remédios da Relação Municipal de Medicamentos Essenciais (REMUME) mesmo quando a farmácia básica do município estiver com o estoque zerado. É uma daquelas situações em que o Legislativo faz aquilo que se espera dele: identifica um problema, cria uma solução e enfrenta o Executivo quando entende que o veto não faz sentido. 

 

A NOVA POLÍTICA

Conversei nesta semana no HC Notícias com Victoria Salgado, candidata a deputada estadual pelo PDT. Aos 26 anos, ela chega à primeira disputa eleitoral defendendo educação básica e prometendo enfrentar a “velha política”. O discurso é conhecido, mas Victoria tem um diferencial: não fala de política olhando de fora. Aos 19 anos já presidia a juventude do PDT em Tubarão, foi vice-presidente da União Catarinense dos Estudantes e trabalhou dentro da própria Alesc. Foi lá que diz ter se decepcionado ao ver projetos inconstitucionais avançarem por conveniência política. Agora quer voltar, desta vez pela porta da frente e com mandato. É uma candidatura que vale acompanhar. Primeiro porque representa uma geração que reclama, com razão, de não ter espaço. Segundo porque será interessante descobrir se a nova política consegue sobreviver quando passa a ter que votar, negociar e, inevitavelmente, fazer política.

 

BETINHO CANDIDATO

Beto Kuerten, o Betinho, está oficialmente na estrada para tentar uma vaga na Assembleia Legislativa. Ex-prefeito de Braço do Norte por dois mandatos, ele entra na disputa pelo PSD com uma vantagem que nenhuma agência de publicidade consegue produzir: durante a gestão como prefeito, chegou a ultrapassar 80% de aprovação. Agora terá de transformar a aprovação administrativa em voto estadual. A dobradinha com Júlio Garcia, candidato a deputado federal, é um dos pilares do projeto. 

 

JEFFERSON NA BRIGA

Jefferson Monteiro também colocou o nome na disputa por uma cadeira na Alesc pelo Republicanos. O advogado já havia disputado eleições anteriores e agora tenta transformar sua experiência política em uma candidatura competitiva. Nesta semana, recebeu apoio de lideranças do setor de proteção veicular, categoria com a qual mantém atuação profissional. A questão para Jefferson é simples: apoio de segmento é importante, mas eleição estadual exige muito mais. É preciso ampliar a base e mostrar ao eleitor por que ele deve trocar um nome já conhecido por um candidato que ainda busca espaço. A campanha começou. Agora começa a parte difícil.

 

A LADAINHA DO VOTO PELA AMUREL

A campanha pelo chamado “voto pela Amurel” é bonita no discurso. O problema é quando chega na urna. A região tem mais de 290 mil eleitores distribuídos pelos 18 municípios da Amurel e há anos se fala na necessidade de eleger representantes que conheçam a realidade local. “Precisamos valorizar os nossos candidatos”, mas para a ALESC. Para o Senado a história é outra.


NEM O SANTINHO

E tem algo ainda mais curioso nessa história. Carlos Bolsonaro é candidato ao Senado por Santa Catarina, mas até o material impresso de sua campanha foi produzido no Rio de Janeiro. Segundo informações divulgadas nesta semana, os impressos foram confeccionados em uma gráfica de Saquarema, na Região dos Lagos, e incluem peças com tiragem de até 2 milhões de unidades. Nada de ilegal nisso, evidentemente. Mas é difícil de ignorar: o candidato vem do Rio, voltou para o Rio logo depois do lançamento da campanha e agora até o santinho vem do Rio. Em breve, o estado fluminense terá quatro senadores.

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O PRIMEIRO PALCO

O primeiro debate presidencial da Band foi terrível. Chato, enfadonho, esvaziado. Geladeira de fim de mês. E convenhamos, faltar a debate é uma estratégia que pode funcionar até o momento em que não funciona mais. Foi o caso de Romeu Zema, que errou feio ao não comparecer e perdeu a oportunidade preciosa de apresentar-se ao eleitor nacional. Deixou para os outros candidatos o espaço que poderia ter ocupado. Renan Santos teve o espaço que queria, foi combativo e chamou atenção, mas passou do ponto e correu o risco de deixar o candidato desaparecer atrás do personagem. Augusto Cury parece ter saído de uma corrente de WhatsApp da década passada. Caiado tem a energia de uma manhã de segunda-feira e empolga como leite morno. Flávio Bolsonaro, por outro lado, fez a conta certa: sem Lula no palco, seria alvo de todos os demais e pouco teria a ganhar. Fez bem.

 

LULA DEU O DRIBLE

Lula também fez sua jogada. Não foi à Band e apareceu na Record justamente no horário do debate. Renan Santos criticou a emissora pela entrevista e acusou a Record de favorecer o presidente.  Politicamente, Lula ganhou. Não precisou enfrentar Caiado, Renan ou Cury e ainda conseguiu um espaço televisivo para falar diretamente ao eleitor. A entrevista foi bem mais confortável do que seria um debate. É aquela velha regra da política: se você pode escolher o campo, por que diabos jogaria no campo do adversário?

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A BLUSINHA

A “taxa das blusinhas” é um daqueles assuntos em que a memória é um artigo de luxo. Em 2024, Lula sancionou a lei que criou a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, depois de a taxação ser incluída pelo Congresso no projeto do programa Mover. A medida começou a valer em agosto daquele ano. Agora, em ano eleitoral, o mesmo governo decidiu zerar a cobrança e Lula corre para convencer Câmara e Senado a manter a medida. A MP que suspendeu o imposto precisa ser aprovada até 8 de setembro, justamente poucas semanas antes do primeiro turno. Para o consumidor, ótimo: a blusinha fica mais barata. A indústria nacional reclama porque quer ela mesma intermediar a sua blusinha e comprar da China a preço de banana, te vendendo como fosse Prada. Lula agora aparece como o homem que está acabando com a taxa que o próprio governo sancionou dois anos atrás. Primeiro cobra, depois devolve. Se der tempo, pede aplauso pela devolução.


REELEIÇÃO PARA MIM

O governador de São Paulo Tarcísio de Freitas voltou a defender nesta semana o fim da reeleição. Durante sabatina no ABDIB Fórum Eleições 2026, na terça-feira (25), disse que “às vezes” defende o fim do mecanismo porque quem tem um mandato precisa fazer o que considera necessário “independente do custo político”. É um argumento razoável. O detalhe é que Tarcísio está justamente em campanha pela própria reeleição ao governo de São Paulo. Mas política é uma coisa curiosa: quando o mandato é dos outros, o segundo turno da vida pública parece um problema; quando é o nosso, chama-se continuidade administrativa. Tarcísio quer acabar com a reeleição — dos outros, claro rs.


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