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28/08/2026 20h41

Uso de substância proibida em clínica estética de Criciúma teria deformado rostos e necrosado bocas de clientes

Estabelecimento em Criciúma é alvo de ação judicial após clientes relatarem deformações e uso clandestino de PMMA; casos foram arquivados pela Polícia Civil por ausência de representação
Uso de substância proibida em clínica estética de Criciúma teria deformado rostos e necrosado bocas de clientes

Uma clínica de estética de Criciúma é alvo de uma ação judicial após denúncias de mulheres que afirmam ter sofrido complicações depois de procedimentos realizados no local. Ao menos seis clientes teriam relatado problemas relacionados aos atendimentos, incluindo alterações nos tecidos e lesões na região dos lábios.

 

Segundo informações encaminhadas à reportagem, procedimentos invasivos teriam sido realizados com materiais inadequados e sem a qualificação necessária. Entre os relatos está o de uma mulher que procurou a Polícia Civil em 2020 após passar por um procedimento nos lábios, realizado no ano anterior.

 

De acordo com o registro, o tecido da região teria ficado endurecido após a aplicação. Uma tentativa de corrigir o problema teria sido feita posteriormente pela profissional responsável, mas a situação teria se agravado e a cliente chegou a desmaiar.

 

A mulher precisou procurar atendimento com um cirurgião-dentista para retirar o material. O profissional teria solicitado informações sobre a substância aplicada, mas, conforme o relato registrado na ocorrência, a esteticista não teria informado qual produto havia sido utilizado.

 

Ainda segundo o registro policial, a profissional não teria formação ou habilitação legal para realizar procedimentos invasivos. Formalmente, sua atividade estaria relacionada à atuação como designer de sobrancelhas.

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Cliente afirma que teve necrose após aplicação nos lábios

 

Outro caso teria ocorrido por volta de 2022 e envolve uma cliente identificada pelas iniciais V. F. Segundo ela, a profissional se apresentou como biomédica e afirmou que utilizaria ácido hialurônico durante um procedimento nos lábios.

 

Após a aplicação, porém, a paciente começou a apresentar endurecimento do tecido e alterações na circulação sanguínea da região. O quadro teria evoluído para necrose.

A cliente afirma que tentou procurar a clínica para receber orientação e assistência diante das complicações, mas relata que não recebeu atendimento da profissional e acabou sendo bloqueada nos canais de comunicação do estabelecimento.

 

Com o agravamento da lesão e o risco de perder parte dos lábios, V. F. precisou passar por três procedimentos cirúrgicos para remover o material aplicado. Dois deles foram realizados pelo especialista em reconstrução bucomaxilofacial Raulino Brasil.

 

O material retirado durante os procedimentos foi encaminhado para análise anatomopatológica. O exame identificou a presença de PMMA, sigla para polimetilmetacrilato, e não de ácido hialurônico, substância que, segundo a paciente, havia sido informada antes do procedimento.

 

O PMMA é um polímero sintético utilizado em situações médicas específicas. Seu emprego em procedimentos estéticos exige critérios e possui restrições devido ao risco de complicações, que podem aparecer inclusive posteriormente à aplicação.

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Outros relatos levaram ao processo judicial

 

Após o surgimento de novos relatos envolvendo a mesma profissional, foram registradas outras ocorrências e uma ação judicial foi apresentada contra a clínica.

 

No caso de V. F., o processo ainda estaria em andamento. A paciente afirma que, até o momento, não houve uma solução definitiva para o caso.

 

Apesar das denúncias, os registros policiais relacionados à profissional não avançaram para uma investigação criminal formal em algumas situações.

Conforme apuração, a ocorrência registrada em 2020 foi arquivada porque não houve representação criminal da vítima dentro do prazo previsto pela legislação. Para determinados crimes, a vítima precisa manifestar formalmente o interesse na investigação em até seis meses após tomar conhecimento da autoria.

 

Uma nova ocorrência, registrada em 2024 contra a mesma profissional, também chegou a tramitar na Polícia Civil, mas acabou arquivada pelo Judiciário pela ausência de representação formal da vítima.

 

Os relatos das mulheres permanecem relacionados a uma ação judicial, enquanto os procedimentos criminais mencionados não tiveram prosseguimento por questões processuais.


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