
Novas mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro pela Polícia Federal e divulgadas pelo UOL indicam que ele tinha acesso antecipado a reportagens do Metrópoles, sugeria mudanças em manchetes e informações e chegou a impedir a publicação de um texto. A interlocutora era Lilian Tahan, CEO do grupo responsável pelo portal.
Segundo a reportagem, Tahan enviava rascunhos de matérias ao banqueiro e consultava sua opinião antes da publicação. A relação direta foi estabelecida em 2024, mesmo ano em que o Banco Master fechou um contrato de publicidade de R$ 20 milhões com o Metrópoles.
Em abril de 2025, ao receber um texto sobre o Banco Master, Vorcaro sugeriu alterações nos números apresentados. A executiva aceitou as mudanças e, posteriormente, encaminhou o link da matéria publicada. Em outra conversa, ela prometeu: “Não publicarei sem nos falarmos”.
A influência também teria chegado às manchetes. Em julho, Vorcaro pediu que o título de uma reportagem sobre a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB) indicasse que o Banco Central deveria aprovar a operação nos dias seguintes. O pedido foi atendido, mas, dois meses depois, o BC vetou a compra.
As mensagens também mostram uma tentativa de interferência na cobertura política. Vorcaro pediu que o portal diminuísse temporariamente o espaço dado a Ricardo Cappelli, crítico da negociação entre o Master e o BRB. “Esse Cappelli, você não consegue dar uma freada essa semana? Depois ele volta!”, escreveu. Tahan respondeu: “Deixa comigo”.
Em outubro, a CEO enviou ao banqueiro uma reportagem sobre operações envolvendo a Oncoclínicas e perguntou se o conteúdo causaria algum incômodo. Após a objeção de Vorcaro, ela respondeu: “Deixar quieto aqui”. De acordo com o Estadão, o texto não chegou a ser publicado.
