
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) está investigando uma possível ameaça contra a desembargadora Cinthia Bittencourt Schaefer, magistrada responsável pela relatoria da Operação Mensageiro, considerada uma das maiores ações de combate à corrupção já realizadas no estado.
A suspeita veio à tona após informações indicarem a existência de um suposto plano de atentado contra a desembargadora. Segundo relatos divulgados pela imprensa catarinense, a ameaça teria sido mencionada por um preso ligado a uma empresa investigada no setor de coleta de lixo, alvo recente da operação denominada "DNA do Crime", conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco).
Após tomar conhecimento do caso, o Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional do TJSC iniciou uma apuração para verificar a veracidade das informações e adotou medidas de reforço na segurança da magistrada. A suspeita é de que a eventual ameaça tenha sido motivada por represália às decisões judiciais que resultaram em prisões autorizadas por ela.
Deflagrada em dezembro de 2022, a Operação Mensageiro investiga um esquema de corrupção relacionado a contratos de coleta e destinação de resíduos em municípios catarinenses. Ao longo das diferentes fases da investigação, dezenas de agentes públicos, empresários e políticos foram presos, incluindo 17 prefeitos que exerciam mandato.
De acordo com dados do Ministério Público de Santa Catarina, a operação já resultou em 45 prisões preventivas, no cumprimento de mais de 300 mandados de busca e apreensão e em ações penais que apuram quase 2,9 mil crimes atribuídos a dezenas de investigados.
Natural de Porto Alegre, a desembargadora Cinthia Bittencourt Schaefer tem 64 anos e atua há anos no Judiciário catarinense. Formada em Direito pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), também possui graduação em Psicologia e especialização em Direito Civil. Atualmente, está à frente de processos considerados estratégicos no combate à corrupção em Santa Catarina.
