
O corpo do menino de três anos que morreu após ser agredido pelo pai, em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre (RS), será sepultado com custos bancados pela prefeitura do município. A decisão foi tomada após a falta de familiares autorizados a retirar o corpo no Departamento Médico-Legal (DML).
A criança morreu no dia 8 de julho, após sofrer agressões dentro da residência da família. Segundo a investigação, o pai, o missionário norte-americano D’Andre Jermaine Grayson, confessou ter batido no filho após o menino não ter dado “bom dia”. Ele permanece preso.
O corpo permanecia no DML porque não havia representantes da família na cidade para realizar a retirada. A mãe da criança, Mayanna Angelina Rodgers, também estrangeira, está presa sob suspeita de omissão diante das agressões.
A defesa de Mayanna informou que buscava autorização para que ela pudesse participar do velório e acompanhava as tratativas para a realização da cerimônia. Inicialmente, o Ministério Público do Rio Grande do Sul havia solicitado que ela fosse encaminhada ao DML para reconhecimento do corpo, mas a identificação já havia sido concluída pelos profissionais do órgão.
Com isso, o Ministério Público pediu que o município assumisse a responsabilidade pelo funeral. A solicitação foi aceita pela Justiça, e o sepultamento será organizado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social.
Família vivia em situação de vulnerabilidade
De acordo com a prefeitura e a Polícia Civil, a família, que veio dos Estados Unidos há cerca de nove anos, enfrentava dificuldades financeiras e recebia auxílio de pessoas da comunidade religiosa.
O funeral será realizado por meio do chamado enterro social, destinado a famílias que se enquadram em critérios de vulnerabilidade.
Irmãos foram encaminhados para acolhimento
Após a morte do menino, os outros filhos do casal foram retirados da convivência familiar e encaminhados para acolhimento institucional por determinação do Conselho Tutelar.
Além da morte da criança de três anos, o caso também envolve outros relatos de possíveis agressões. Segundo informações divulgadas pelas autoridades, um dos irmãos, de nove anos, teria sido levado a um serviço de saúde com ferimentos no rosto.
A investigação apontou ainda que o menino morto já havia sofrido uma fratura no braço meses antes, em uma situação que, segundo o pai, teria ocorrido dentro da residência.
