
Central de atendimento funcionando todos os dias, pedidos feitos por aplicativo de mensagens, entregadores motorizados circulando pela cidade e um esquema de "laranjas" para lavar o dinheiro sujo. Era assim que atuava uma organização criminosa que a Polícia Civil de Tubarão levou dois anos para desmontar, e que agora termina com 12 réus condenados pela Justiça.
A operação, batizada de "Barão S/A", foi conduzida pelo Departamento de Investigações Criminais (DIC) de Tubarão e mirou o grupo conhecido como "Equipe Barão", especializado em tráfico de drogas, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A droga — principalmente maconha e cocaína — vinha de Foz do Iguaçu, na fronteira com o Paraguai, e era distribuída na região por um sistema de tele-entrega que funcionava com a lógica de uma empresa: sem parar.
A investigação revelou uma estrutura hierárquica bem definida. No topo, a liderança comandava tudo remotamente, recebendo pedidos por aplicativos de mensagens e repassando as ordens a uma rede de entregadores motorizados espalhados pela cidade. Do outro lado da operação, "laranjas" emprestavam suas contas bancárias para movimentar o dinheiro do tráfico — a polícia identificou centenas de milhares de reais fracionados nessas contas, depois repassados aos chefes da quadrilha e usados para comprar novos carregamentos de droga.
Ao todo, 12 pessoas foram identificadas com papéis específicos dentro do esquema: liderança, gerência das operações, transporte interestadual, armazenamento em depósitos clandestinos, entregas, fornecimento de veículos e cessão de contas para ocultar o dinheiro.
Com base no conjunto de provas reunido ao longo do processo, a Justiça condenou os 12 réus. Somadas, as penas ultrapassam 84 anos de reclusão — o líder do grupo recebeu a maior condenação individual, mais de 16 anos de prisão.
