
A Justiça converteu em prisão preventiva, nesta quarta-feira (16), a prisão em flagrante do motorista de 61 anos investigado pela colisão que matou uma adolescente de 15 anos e deixou outras três pessoas feridas em Criciúma. A decisão foi tomada durante audiência de custódia, após pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
O acidente aconteceu na noite de terça-feira (15), na Rodovia Luiz Rosso, no bairro Quarta Linha. Segundo o relatório da Polícia Militar, o homem conduzia um Toyota Corolla em alta velocidade quando teria passado por uma lombada e atingido a traseira do veículo onde estavam as vítimas.
A adolescente morreu ainda no local. A irmã gêmea dela ficou gravemente ferida e está internada na UTI do Hospital São José. Um adolescente de 13 anos e o motorista do carro atingido também ficaram feridos e foram levados ao hospital.
De acordo com o MPSC, existem elementos que podem indicar a ocorrência de homicídio com dolo eventual, situação em que o agente teria assumido o risco de provocar a morte. O Ministério Público considera, entre outros fatores, a velocidade desenvolvida pelo veículo, os sinais de possível embriaguez, o fato de o motorista supostamente conhecer a existência da lombada e uma possível tentativa de fuga após a batida.
O motorista se recusou a fazer o teste do bafômetro. Conforme o relatório da Polícia Militar, entretanto, ele apresentava sinais de alteração da capacidade psicomotora, incluindo odor etílico, fala arrastada, olhos avermelhados e andar cambaleante.
Após a colisão, o homem teria tentado deixar o local, mas foi contido por pessoas que estavam na rodovia até a chegada dos policiais. A PM também registrou que, minutos antes do acidente, o mesmo Corolla teria batido contra um muro e seguido pela Rodovia Luiz Rosso.
Histórico policial
Identificado como Lênio Leonides da Cunha, o motorista possui, segundo informações divulgadas pelo Jornal Razão, 33 passagens pela polícia. Ele também tem uma condenação definitiva por homicídio.
O crime ocorreu em 2006. Segundo o levantamento publicado pelo veículo, Lênio atirou contra um homem dentro de um bar, que morreu no local. Ele fugiu após o disparo.
Em novembro de 2016, o Tribunal do Júri de Criciúma o condenou a seis anos de reclusão, em regime semiaberto, por homicídio simples. A prisão ocorreu em outubro de 2020, depois que a condenação se tornou definitiva.
A defesa chegou a pedir que a pena fosse cumprida em prisão domiciliar sob alegação de problemas cardíacos. Uma perícia concluiu que ele poderia permanecer preso desde que tivesse acesso a medicamentos e acompanhamento médico. O pedido foi negado pela Justiça, assim como um habeas corpus analisado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).
Lênio deixou a prisão em março de 2021, passou ao regime aberto em dezembro do mesmo ano e teve a pena extinta em abril de 2024.
Prisões recentes
Em dezembro de 2025, o homem voltou a ser preso após, segundo a polícia, ir até a residência de uma ex-companheira, ameaçá-la com uma faca e invadir o imóvel. A prisão preventiva foi decretada pela Justiça de Araranguá, mas acabou revogada pouco mais de dois meses depois.
Já em 2 de agosto deste ano, Lênio foi preso novamente por uma ocorrência de ameaça. Na ocasião, a prisão em flagrante foi convertida em preventiva pelo Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Criciúma. Não há informação pública sobre a data em que ele deixou a prisão.
Habilitação sob análise
A situação do motorista também vinha sendo analisada pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Segundo o Jornal Razão, a Ciretran de Criciúma abriu, em abril deste ano, um processo para suspender o direito de dirigir de Lênio devido ao excesso de pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Como ele não teria sido localizado, a notificação foi realizada por edital. O resultado do processo não havia sido divulgado.
Investigação
Durante a audiência de custódia, o promotor de Justiça Marcelo Francisco da Silva pediu a conversão da prisão em flagrante em preventiva. O pedido foi acolhido pelo Poder Judiciário.
Para o MPSC, a prisão é necessária para garantir a preservação da ordem pública, considerando a gravidade dos fatos e elementos relacionados ao histórico do investigado.
A Polícia Civil deve prosseguir com a investigação para esclarecer a dinâmica da colisão e definir as responsabilidades criminais. O caso poderá resultar em acusações relacionadas à morte da adolescente e às lesões provocadas nos demais ocupantes do veículo.
