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Variedades
12/06/2026 17h41

Ela tem 70 anos, ele 89 e se casaram em abril deste ano

Terezinha e Nicolau mostram que nunca é tarde para recomeçar
Ela tem 70 anos, ele 89 e se casaram em abril deste ano

DUAS HISTÓRIAS, UM ENCONTRO

Terezinha Crocetta Gadzinski tem 70 anos, nasceu em Lauro Müller e construiu grande parte da vida ao lado de Juvêncio Gaidzinski. Casaram-se quando ela tinha 19 anos. Viveram os primeiros dez anos na localidade de Rio Laranjeiras, em Orleans, e, em 1986, mudaram-se para Braço do Norte, onde criaram os três filhos e estabeleceram a família.

 

A história dos dois atravessou quase cinco décadas. Nos últimos anos, Juvêncio enfrentou as consequências de um AVC que comprometeu boa parte do cérebro e Terezinha esteve ao seu lado durante todo esse período. Em 13 de junho de 2021, ele morreu. A perda marcou o início de uma nova rotina: depois de tantos anos compartilhando a vida com a mesma pessoa, ela precisou aprender a seguir em frente sozinha.

 

A poucos quilômetros, Nicolau Maia Machado também vivia uma situação semelhante. Aos 89 anos, havia perdido a esposa após um derrame. Ex-vereador de Braço do Norte, ele é uma figura conhecida no município. Terezinha já sabia quem ele era muito antes de os dois se aproximarem.

 

O INÍCIO DE TUDO

O primeiro contato aconteceu por mensagens. Aos poucos, as conversas se tornaram frequentes. No começo, Terezinha ficou receosa. Depois de tantos anos vivendo uma única história de amor, a possibilidade de um novo relacionamento... Mas as conversas continuaram e a aproximação aconteceu naturalmente.

 

O primeiro encontro ocorreu em Balneário Figueirinha. O filho de Terezinha tem uma casa na praia e estava fazendo um churrasco em família. Como a casa de campo de Nicolau fica próxima dali, em Campo Bom, ela perguntou aos familiares se poderia convidá-lo. O filho e a nora ficaram felizes. Nicolau participou do encontro e conheceu a família. Foi o primeiro passo para uma relação que cresceria rapidamente.


 

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O CASAMENTO

Nicolau não demorou a demonstrar suas intenções. Cerca de dois meses após o início das conversas, já falava em casamento. "Em dois meses ele já queria casar, pois estava sozinho e já estava quase que começando a ficar depressivo, sabe…", recorda Terezinha.

 

Ela também convivia com a solidão desde a morte do primeiro marido. Quando Nicolau manifestou o desejo de construir uma vida ao seu lado, decidiu dar uma chance ao relacionamento. "Várias mulheres iam atrás dele, mas ele me escolheu. Eu aceitei casar porque eu também estava só. Eu vivi quatro anos sozinha", relembra.

 

Com um vestido verde-azulado e buquê na mão, Terezinha entrou na igreja. A cerimônia, acompanhada pela família, aconteceu em 20 de abril deste ano. "Todo mundo ficou feliz, todos estavam de acordo porque era uma pessoa muito conhecida já", explica.

 

A VIDA QUE CONSTRUÍRAM

Hoje, Terezinha acompanha de perto a rotina do marido. Apesar dos 89 anos, Nicolau continua ativo. Ele mantém um sítio em Gravatal, onde planta aipim e vez ou outra faz farinha, quando chega o período da colheita. Ele também dedica parte do tempo à marcenaria, produzindo pequenos móveis. Outra paixão é a música. Nicolau toca gaita e costuma animar os momentos em casa. "Abre a porta e a janela… ele toca essa na gaita. Gosto muito de ouvir ele tocar", diz Terezinha. Ela conta que já tentou aprender instrumentos como violão e teclado, mas acabou não levando os estudos adiante.

O casamento também trouxe experiências inéditas. Uma delas aconteceu durante uma viagem para São Paulo, quando Terezinha entrou em um avião pela primeira vez.  "Eu jamais imaginei que fosse andar de avião", conta Terezinha. Desde que começaram a vida juntos, o casal também passou a viajar mais e visitar novos lugares. Eles já foram para a Serra do Rio do Rastro e costumam frequentar restaurantes. "Ele só não dança muito, mas ainda assim dança comigo", diz ela, aos  risos.

 

CIÚMES E TUDO MAIS

Os filhos, segundo Terezinha, sentem ciúmes em alguns momentos, mas compreendem a escolha da mãe e apoiam o relacionamento. Para ela, os sentimentos continuam os mesmos, independentemente da idade. "Continuamos sendo dois namoradinhos. A gente se sente a mesma pessoa de antes, sentimos amor, ciúmes… idade não tira isso da gente não."

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CADA VEZ MAIS COMUM

Embora um casamento aos 70 e 89 anos ainda desperte curiosidade, os dados mostram que os brasileiros têm se casado cada vez mais tarde e que as histórias de recomeço são cada vez mais frequentes.

 

Segundo o IBGE, a participação de pessoas com 40 anos ou mais entre os recém-casados cresceu de forma significativa nas últimas duas décadas. Em 2024, 25,3% das mulheres que se casaram tinham 40 anos ou mais. Entre os homens, o percentual chegou a 31,3%.

 

O levantamento também mostra o aumento dos casamentos envolvendo pessoas que já haviam vivido outra união. Em 2024, 31,1% dos casamentos registrados no país tiveram pelo menos um cônjuge divorciado ou viúvo, mais que o dobro do observado vinte anos antes.

 

Os números ajudam a explicar por que histórias como a de Terezinha e Nicolau têm se tornado mais comuns. Depois de perdas, separações ou longos períodos vivendo sozinhos, muitos brasileiros voltam a encontrar companhia e decidem construir uma nova vida a dois — independentemente da idade.

Fonte: IBGE – Estatísticas do Registro Civil (2024)


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