
O corpo de Gerson de Melo Machado, de 19 anos, conhecido como Vaqueirinho, foi sepultado na segunda-feira (2), no Cemitério do Cristo, em João Pessoa, em uma cerimônia marcada pela solidão e pela tragédia. Apenas a mãe, Maria da Penha Machado, destituída do poder familiar há mais de dez anos, e uma prima acompanharam o enterro. A mãe, que sofre de esquizofrenia, ainda hesitou antes de reconhecer o corpo no Instituto Médico-Legal.
O jovem morreu no domingo após invadir a área dos leões no Parque Zoobotânico Arruda Câmara. Ele escalou as estruturas de proteção, desceu por uma árvore e entrou na jaula sem ser percebido. Uma leoa o atacou imediatamente. O laudo inicial apontou mordidas no pescoço e choque hemorrágico como causa da morte. A prefeitura abriu uma apuração para investigar as condições de segurança do zoológico.
Dois dias antes da morte, Gerson havia procurado o Conselho Tutelar em busca de documentos para tirar a carteira de trabalho e tentar um emprego. Sua trajetória foi marcada pelo abandono e pela exclusão desde a infância. Filho de mãe com transtorno mental, perdeu o vínculo familiar ainda criança e, por não ser considerado “apto” para adoção devido à sua condição psicológica, cresceu passando por abrigos e fugas constantes.
Diagnosticado tardiamente com esquizofrenia, Gerson teve a doença oficialmente reconhecida apenas aos 18 anos, após responder a um processo por dano ao patrimônio durante um surto. À época, a Justiça o considerou inimputável. Sua morte expõe a combinação de falhas na rede de proteção social, no cuidado em saúde mental e na segurança pública, encerrando de forma trágica a vida de um jovem que buscava, pela primeira vez, uma chance concreta de recomeço.
