Sexta, 09 de janeiro de 2026
Facebook Instagram Twitter Youtube TikTok E-mail
48 3191-0403
Geral
07/01/2026 14h51

Venda de atestado médico por R$ 125 é denunciada em Laguna e CRM-SC abre apuração

Denúncia feita por empresário aponta suposto esquema de emissão irregular de atestados em clínica do Centro Histórico
Venda de atestado médico por R$ 125 é denunciada em Laguna e CRM-SC abre apuração

Uma denúncia de suposta venda irregular de atestados médicos movimentou Laguna nesta terça-feira (6) e levou o Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC) a abrir apuração formal sobre o caso. A suspeita envolve uma clínica particular localizada no Centro Histórico do município, onde, segundo a denúncia, documentos médicos estariam sendo emitidos mediante pagamento, sem a realização de consulta adequada e até mesmo em datas em que o local estaria fechado.

 

Em nota oficial divulgada nesta terça, o CRM-SC informou que tomou conhecimento da denúncia no mesmo dia e que os fatos já foram encaminhados à Corregedoria da entidade. Segundo o Conselho, serão adotados os procedimentos competentes para apurar a conduta relatada. 

 

A polêmica veio a público após o empresário Patrik Paulino, proprietário do supermercado Novo, em Laguna, divulgar um vídeo nas redes sociais denunciando o que chamou de “venda de atestados médicos” pelo valor de R$ 125. A gravação ultrapassou 20 mil visualizações e repercutiu rapidamente na cidade e na região.

 

De acordo com o empresário, a desconfiança surgiu após uma funcionária apresentar um atestado médico de cinco dias, com data de 24 de dezembro de 2025, véspera de Natal. Paulino afirma que, ao tentar verificar a veracidade do documento, foi até a clínica indicada no atestado e encontrou o local fechado. Além disso, segundo ele, o médico responsável pela assinatura não estaria em Laguna naquela data.

 

“A gente confirmou que o local estava fechado, o médico não estava em Laguna e que nem a funcionária estava na cidade. Foi um documento fraudado. Colocaram uma data que não era verídica, foi um documento confeccionado uns dias antes”, relatou o empresário em entrevista concedida ao portal Agora Laguna na tarde desta terça-feira.

 

Para comprovar, Paulino afirma ter enviado um segundo funcionário até a clínica na manhã de segunda-feira (5), munido de uma câmera escondida. O trabalhador teria solicitado um atestado médico e, conforme o relato do empresário, pagou R$ 125 — valor que corresponderia à metade do preço de uma consulta convencional — para obter o documento.

 

As imagens divulgadas nas redes sociais mostram o funcionário pedindo um atestado de “três ou quatro dias”. No vídeo, o médico solicita dados pessoais do trabalhador, indica que colocaria um Código Internacional de Doenças (CID) relacionado a diarreia e faz comentários informais durante o atendimento. Na sequência, o pagamento é realizado e o atestado é entregue.

 

Após a gravação, o empresário afirma que foi pessoalmente até o consultório para confrontar o médico Airton dos Anjos de Moraes, responsável pelo atestado apresentado pela funcionária no dia 24 de dezembro. Segundo Paulino, ele informou ao profissional que o pedido havia sido feito por um de seus funcionários e que um boletim de ocorrência já havia sido registrado sobre a situação.

PUBLICIDADE

No confronto, ainda conforme o empresário, o médico teria argumentado que o atestado apresentado na véspera de Natal teria sido emitido a partir de informações repassadas pelo pai da funcionária, o que, na visão do empresário, não justificaria a emissão do documento nas circunstâncias apontadas.

 

A denúncia foi formalizada junto ao Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina, que agora conduz a análise do caso. O CRM-SC não informou prazos nem detalhes sobre as etapas da apuração, destacando apenas que os fatos serão avaliados conforme os ritos previstos.

 

PUBLICIDADE

Defesa da funcionária se manifesta


A defesa da funcionária do supermercado, cujo atestado deu origem à denúncia, divulgou nota rebatendo as acusações. Segundo o advogado André Felipe da Rosa, o documento foi apresentado “em razão de quadro clínico efetivamente existente”, e a trabalhadora apresentava os sintomas descritos no atestado, condição que, ainda conforme a defesa, também teria sido registrada em outros membros da família no mesmo período.

 

O advogado sustenta que o vídeo divulgado pelo empresário configura um “flagrante preparado”, o que, segundo ele, não possui validade jurídica. De acordo com a nota, o material representaria uma “construção artificial de cenário incriminatório” e não poderia servir de base para afirmações que atinjam a honra, a dignidade e a idoneidade da trabalhadora.

 

A defesa também afirma que, até o momento, não há provas que desabonem a conduta da funcionária e que ela teria agido dentro da legalidade ao apresentar o atestado médico.

 


HC Notícias
48 3191-0403
48 9 8806-3734
Rua Altamiro Guimarães, 50
88701-300 - Centro - Tubarão/SC
Hora Certa Notícias © 2019. Todos os direitos reservados. Política de Privacidade

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições.