
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro vai solicitar à Polícia Federal (PF) um relatório detalhado sobre o acidente sofrido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro dentro da cela onde está preso. A informação foi confirmada por Michelle nesta terça-feira (6), ao afirmar que a família busca esclarecimentos sobre a dinâmica da queda e, principalmente, sobre o tempo em que Bolsonaro teria permanecido desacordado antes de ser encontrado por agentes da corporação.
Segundo Michelle, o objetivo do pedido é obter dados precisos sobre o horário em que o quarto foi aberto e o momento exato em que o ex-presidente foi localizado caído no chão. “Não sabemos por quanto tempo ele ficou desacordado. Estamos solicitando o relatório para saber que horas o quarto foi aberto”, declarou à imprensa.
De acordo com a Polícia Federal, Jair Bolsonaro sofreu um traumatismo cranioencefálico leve, além de ferimentos superficiais, após o episódio ocorrido em sua cela. O atendimento foi realizado por médico da própria corporação, que concluiu não haver necessidade de encaminhamento hospitalar, diante da estabilidade do quadro clínico apresentado.
O laudo médico informa que Bolsonaro estava consciente e orientado no momento da avaliação, sem sinais de déficits neurológicos. O documento descreve ainda que as pupilas estavam isocóricas e reativas, com motricidade e sensibilidade preservadas nos membros superiores e inferiores, além de estabilidade hemodinâmica. Foi registrado apenas um leve desequilíbrio na posição ortostática e pequenas lesões cortantes.
“Ao exame: consciente, orientado, sem sinais de déficit neurológico. Pupilas isocóricas e reativas. Motricidade e sensibilidade de membros superiores e inferiores preservadas. Hemodinamicamente estável. Leve desequilíbrio na posição ortostática. Lesão superficial cortante em face (região malar) direita e em hálux esquerdo com presença de sangue”, aponta o documento da Polícia Federal.
O médico confirmou o diagnóstico de traumatismo cranioencefálico leve. Com base nesse laudo, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido de remoção imediata de Bolsonaro para o hospital DF Star, em Brasília, por entender que não havia indicação médica para internação.
Na decisão, Moraes determinou que o laudo da Polícia Federal fosse anexado aos autos do processo e estabeleceu que a defesa do ex-presidente informe quais exames considera necessários. Esses procedimentos, segundo o despacho, deverão ser realizados no âmbito do sistema penitenciário.
Jair Bolsonaro cumpre pena definitiva desde 25 de novembro de 2025, após o trânsito em julgado de sua condenação. Ele foi sentenciado a 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado pela Primeira Turma do STF, por liderar uma organização criminosa que teria atuado para tentar impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022. A condenação ocorreu depois de o ex-presidente já ter sido preso por descumprimento de medidas cautelares.
No final de 2025, Bolsonaro chegou a ser internado no hospital DF Star para tratar problemas de saúde, como hérnias e crises persistentes de soluços, passando por procedimentos cirúrgicos. Após a alta, retornou ao regime fechado, onde permanece sob vigilância.
O pedido anunciado por Michelle Bolsonaro deve ser formalizado nos próximos dias. Até o momento, a Polícia Federal não informou quando o relatório detalhado solicitado pela família será disponibilizado.
