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07/01/2026 17h00

A caminho do Alasca, viajante em Fusca 74 faz parada em Tubarão

Ex-militar do Rio de Janeiro, Guilherme King está em Tubarão e relata que a jornada até o Alasca é uma forma de enfrentar a depressão e reconstruir o sentido da própria vida
A caminho do Alasca, viajante em Fusca 74 faz parada em Tubarão

Tubarão virou, nesta semana, ponto de parada e acolhimento para uma história que atravessa fronteiras. O ex-militar e ex-empresário do setor de estética automotiva Guilherme King, de 47 anos, está na cidade durante a viagem em que pretende cruzar as Américas a bordo de um Fusca 1974, transformado-o numa casa sobre rodas, com destino final ao Alasca.

 

Natural de Rio das Ostras (RJ), Guilherme deixou a cidade há cerca de um mês. A passagem por Tubarão, no entanto, ganhou peso especial. Recebido por integrantes do grupo Tubavolks, ele participou de uma confraternização e também teve contato com autoridades locais. “Para quem convive com a depressão, existe sempre uma voz interna dizendo que você não serve para nada. Aqui fui tratado com carinho e respeito, isso me marcou positivamente”, relatou.

 

Mais do que uma aventura automobilística, a viagem é descrita por Guilherme como um processo de reconstrução pessoal. Diagnosticado com depressão refratária e transtorno de estresse pós-traumático, ele afirma que chegou ao limite após o fim de um casamento de 17 anos e o afastamento do convívio diário com a filha, hoje com 17 anos. “Eu era um homem sem propósito, sem vontade de viver”, resume.

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Antes de partir de Fusca, Guilherme fez um mochilão a pé do Rio de Janeiro até o Uruguai. Foi acampando em meio à mata, na região de Bella Unión, que percebeu algo decisivo: durante esse período, não teve crises de depressão. “Ali eu descobri a minha válvula de escape”, conta. A partir disso, surgiu a ideia de seguir viagem sobre rodas, agora por todo o continente.

 

O Fusca, apelidado de “Bee”, ocupa um papel simbólico central na história. Guilherme diz que não escolheu o carro, foi escolhido por ele. Num dos momentos mais críticos da vida, ao ver o anúncio do veículo abandonado no fundo de um quintal, afirma ter se reconhecido ali. “Um guerreiro forte, cheio de histórias, mas que achava que não tinha mais serventia", relembra.

 

Embora mecanicamente original, o Fusca foi equipado para a vida na estrada: cama, cozinha embutida no porta-malas dianteiro, pia, caixa d’água, geladeira, iluminação interna e externa em LED, GPS, carregadores USB e espaço para suprimentos. Para se manter financeiramente, Guilherme realiza serviços de polimento de faróis e pintura automotiva ao longo do caminho, além de receber pequenas contribuições de seguidores nas redes sociais.

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Durante a estadia em Tubarão, ele destaca que não conseguiu explorar toda a cidade, mas teve boa impressão. “Me parece uma cidade forte, com saúde, educação e comércio bem desenvolvidos, além das águas termais e do passeio histórico da Maria-Fumaça, que eu queria muito conhecer”, contou.

 

O próximo destino é Santa Rosa do Sul, onde Guilherme buscará um filhote de beagle, Snoopy, que será seu novo companheiro de viagem. Sem pressa para chegar ao Alasca, ele afirma que o mais importante é o caminho, as pessoas e os encontros. “Se tiver que mudar a rota, eu mudo. Deus está na frente”, afirma.

 

“Nossa vida importa. Você é mais forte do que imagina. Procure sua válvula de escape e não desista.” E faz um apelo a quem não convive com a doença: “Depressão não é frescura, não é fase e não é falta de Deus. Precisamos ser ouvidos. Falar cura", conclui.


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