
Começar uma entrevista é sempre uma questão para o jornalista. Principalmente quando o entrevistado é uma autoridade política. Qual a primeira pergunta? O que posso ou não perguntar, que caminho seguir? Afinal, tanto quem responde quanto quem pergunta passa a estar sob a mira de quem lê. E o sarrafo é alto, quem vê de fora sempre sabe mais do que a gente.
Assista a entrevista completa abaixo:
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O antigo Paço Municipal foi trocado por um prédio ao lado do Facilita Tubarão, alugado por R$105 mil ao mês. “Dá pra ver no rosto dos servidores, dos mais antigos principalmente, o sorriso e como eles vêm trabalhar mais felizes”, destaca o prefeito Estêner Soratto, afirmando que era inviável que o Executivo de Tubarão continuasse no local, úmido, mofado e com risco de queda de telhados. O ambiente nem de longe lembra as paredes meio carcomidas da Vila dos Operários e tem corredores longos, brancos e iluminados que fazem qualquer um se perder.
Soratto sempre quis ser prefeito e sonhava em administrar a cidade. “As pessoas me encontravam e queriam que eu fosse candidato a prefeito, além das lideranças políticas… Não me arrependo e estou feliz com o trabalho que estamos realizando aqui na cidade”, relembra. Para ele, esse era um projeto ainda distante, mas que foi antecipado devido ao momento político que a cidade vivia.
Momento esse que culminou numa eleição vencida com folga e mais de 70% dos votos, a maior da história da cidade. Com grandes poderes, grandes responsabilidades. “A pressão aumenta, é do tamanho da eleição. Por isso que estamos aqui trabalhando”, afirma. O prefeito colocou os pés na prefeitura imaginando um cenário; era outro. A dívida era 50% maior do que se imaginava e a desorganização administrativa e financeira chegou ao ponto de o Executivo não ter mais o Demonstrativo de Atendimento aos Requisitos para Transferências (DART), uma das Certidões Negativas de Débito (CNDs), recuperada em março.
Hoje, com as coisas em ordem, Soratto enfrenta outras situações. “Eu tenho dois desafios enormes: a questão do lixo, que está encaminhada a resolução, mas há etapas burocráticas; o outro é a Tubarão Saneamento, que tem feito um bom trabalho de saneamento, mas o trabalho de recuperação da malha de asfalto e paralelepípedos está longe de um serviço bem feito”, aponta Soratto, que elencou a dívida da Prefeitura como um terceiro desafio; que antes achava que estaria no topo da lista.
Perguntei se ele tinha algum arrependimento esperando uma não-resposta ou um desvio de assunto. O prefeito reconheceu que a condução da situação do lixo poderia ter sido melhor. “Talvez por inexperiência, algumas coisas nós poderíamos fazer diferente, como no problema do lixo. Poderíamos ter feito um contrato emergencial com prazo maior, talvez…”, repensa.
“Jorginho Mello salvou Tubarão”
Quando questionado sobre a relação entre a cidade de Tubarão, Soratto afirmou que a conversa é excelente. “O governador salvou Tubarão, com o tamanho da dívida, se não tivéssemos o apoio do governo… Na frota de veículos, pavimentações, construções, estamos muito contentes. Jorginho é um municipalista e sempre que precisamos ele nos atende”, ressalta.
“É um grande absurdo o que está acontecendo com Bolsonaro”
Sobre a prisão de Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe, Soratto, que teve apoio do ex-presidente nas eleições de 2024, afirmou que considera a decisão do STF um absurdo. “É um absurdo o que está acontecendo com Bolsonaro. Não roubou, não matou, não praticou corrupção e está preso por um processo que quem acusa também investiga e condena”, explica o prefeito.
“Quero pavimentar 150 ruas em 2026”
Para 2026, Soratto pretende uma meta ousada: pavimentar 150 ruas. Em 2025, foram 52 ruas. De 2018 a 2023, foram 190 ruas. “São duzentas ruas em dois anos de mandato e neste ano, três vezes mais do que em 2025. Além de outras obras como a UPA e os postos de saúde do Recife e Vila Moema”, reiterou.
