
Santa Catarina registra, em média, 14 casos de maus-tratos contra animais por dia em 2026. Dados da Secretaria de Segurança Pública apontam que, entre 1º e 25 de janeiro, ao menos 371 ocorrências foram registradas no Estado. Entre os casos está o do cão comunitário Orelha, morto após agressões na Praia Brava, em Florianópolis, no início do ano.
O número reforça uma escalada que vem sendo observada ao longo da última década. Em dez anos, os registros de maus-tratos cresceram 329% em Santa Catarina, passando de 1.312 ocorrências em 2015 para 5.630 em 2025. O ano com maior volume foi 2023, quando 5.828 casos foram contabilizados pelas forças de segurança.
O caso de Orelha ganhou repercussão após o animal ser encontrado gravemente ferido e não resistir aos ferimentos. Quatro adolescentes são investigados pela Polícia Civil, que apreendeu celulares e segue apurando o envolvimento deles no crime. No desdobramento da investigação, três familiares dos suspeitos — entre eles um advogado e dois empresários — foram indiciados por coação, após supostas ameaças a uma testemunha.
Outro episódio que integra as estatísticas recentes ocorreu em Blumenau, no fim de 2025, quando um cachorro chamado Valente foi arrastado por cerca de um quilômetro preso a um caminhão. O tutor do animal foi preso e indiciado por maus-tratos. O cão foi resgatado com ferimentos graves e segue em tratamento veterinário, com previsão de encaminhamento para adoção após a recuperação.
Especialistas e protetores alertam que os números refletem uma realidade ainda mais ampla, especialmente em áreas periféricas e rurais, onde muitos casos não chegam a ser denunciados. A legislação brasileira prevê punições para crimes de maus-tratos, com penas que podem chegar a cinco anos de reclusão quando envolvem cães e gatos.
Em Santa Catarina, denúncias podem ser feitas de forma anônima pela Delegacia Virtual da Polícia Civil, pelo telefone 190 da Polícia Militar ou por meio do Ministério Público.
