
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou, na manhã desta terça-feira (10), o afastamento cautelar do ministro Marco Buzzi, alvo de denúncias de importunação sexual. A decisão foi tomada em sessão extraordinária do plenário da Corte e ocorre no contexto de uma sindicância interna aberta de forma unânime pelos ministros na semana passada.
O afastamento tem caráter cautelar e prazo determinado. Durante esse período, Marco Buzzi fica impedido de acessar o gabinete, utilizar carro oficial e exercer quaisquer prerrogativas do cargo. Uma nova sessão do plenário do STJ foi convocada para o dia 10 de março de 2026, quando os ministros deverão analisar as conclusões da Comissão de Sindicância.
Horas após a abertura da apuração interna, o ministro apresentou atestado médico e solicitou licença de suas funções. Paralelamente, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) também apura o caso. Nesta segunda-feira (9), uma nova suposta vítima prestou depoimento à Corregedoria Nacional de Justiça, em oitiva conduzida pelo corregedor nacional, ministro Mauro Campbell.
A principal denúncia envolve um episódio ocorrido em janeiro deste ano, durante férias em Balneário Camboriú (SC). Segundo o relato, Marco Buzzi teria cometido importunação sexual contra uma jovem de 18 anos, filha de amigos do ministro, quando ela decidiu entrar no mar. A acusação aponta que ele teria tentado agarrá-la por três vezes.
Em nota, o ministro afirmou que foi surpreendido pelas acusações e negou qualquer conduta imprópria. “Repudia toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio”, disse.
A defesa de Buzzi declarou que ainda não teve acesso aos autos e criticou o que classificou como vazamentos de informações. Segundo os advogados, o magistrado não cometeu irregularidades e conseguirá demonstrar isso nos procedimentos em curso. A defesa também questiona a regularidade das oitivas realizadas sem a presença da parte reclamada e afirma que houve violação ao devido processo legal.
As investigações seguem tanto no âmbito do STJ quanto no CNJ, enquanto o ministro permanece afastado cautelarmente do cargo.
