
Em Tubarão, cidade marcada pela arte de Willy Zumblick, um novo nome passa a ganhar reconhecimento mundial. Prestes a fazer 104 anos no dia 27 de maio, Lindomar Tournier acaba de entrar para o Guinness World Records como o escritor mais longevo em atividade no mundo.
Relembre a mensagem que Lindomar gravou aos leitores do HC:
(8) Instagram
O título internacional reforça uma trajetória que já impressionava muito antes do recorde. Conhecido por décadas à frente de uma farmácia tradicional da cidade, Lindomar construiu uma vida marcada pelo trabalho, pela disciplina e, mais recentemente, pela produção literária — que segue ativa mesmo após um século de vida.
Quando completou 101 anos, em entrevista ao jornalista Gean Zanelato, ele já demonstrava a lucidez e a rotina criativa que agora o levam ao reconhecimento mundial. “São histórias que vêm à mente à noite”, contou, ao explicar como surgem as ideias para os livros.
A escrita começou relativamente tarde, na década de 1990, mas nem mesmo um dos momentos mais delicados da sua vida interrompeu esse caminho. Após enfrentar um câncer de garganta e perder a voz em uma cirurgia, Lindomar precisou reaprender a se comunicar. Ainda assim, seguiu produzindo. “Hoje falo com dificuldade, mas continuo”, relatou na época.
Ao longo da vida, foram mais de 20 obras escritas, sendo pelo menos 13 publicadas. Aos 100 anos, lançou um novo livro, mostrando que o hábito de criar nunca deixou de fazer parte do seu dia a dia.
Antes disso, sua história já estava profundamente ligada ao desenvolvimento de Tubarão. Ele chegou ao município em 1955 e aqui construiu família, carreira e legado. Por cerca de 75 anos, esteve à frente de uma farmácia, onde conquistou clientes de toda a região. “Tinha só cinco ou seis médicos em Tubarão, sobrava muito serviço pra gente”, relembrou.
A trajetória também inclui participação ativa na comunidade, como a fundação da CDL e o envolvimento em ações importantes para a cidade, incluindo iniciativas ligadas à Catedral.
Na vida pessoal, Lindomar viu a família crescer ao longo das décadas, mas também enfrentou perdas marcantes. Ainda assim, sempre manteve uma visão equilibrada sobre o tempo. “A vida é feita de momentos bons e difíceis”, refletiu.
Quando questionado sobre felicidade, respondeu sem hesitar: “O casamento e o nascimento dos filhos foram os momentos mais felizes da minha vida”.
Hoje, a rotina mudou, mas não parou. Entre livros, pinturas e lembranças, ele segue ativo. “Vivo numa cadeira de rodas, pintando telas para amigos e escrevendo livros. Sou muito amparado”, disse.
