
Santa Catarina, responsável por mais de 90% da produção de ostras do Brasil, enfrenta uma crise histórica na maricultura. Nesta temporada, a perda pode chegar a 90% da safra, impactando diretamente produtores e o mercado.
O principal motivo apontado é o aumento da temperatura da água do mar, especialmente nos meses de janeiro e fevereiro. O calor acima do normal afetou o desenvolvimento dos moluscos e provocou alta mortalidade nas fazendas marinhas.
Produtores relatam prejuízos significativos. Há mais de 30 anos no setor, um maricultor afirma que, pela primeira vez, praticamente não tem produto para comercializar. O estoque, que normalmente chegaria a dezenas de milhares de dúzias, caiu drasticamente.
Para reduzir as perdas, alguns produtores passaram a vender ostras fora do padrão comercial, conhecidas como “refugo”. Ainda assim, a situação obrigou cortes de funcionários e redução das atividades, com operações limitadas apenas à manutenção das estruturas.
O cenário se repete em outras regiões produtoras, principalmente no sul da Ilha de Santa Catarina. Parte da produção tem sido descartada ainda durante o manejo, aumentando os prejuízos e a incerteza no setor.
A crise ocorre justamente em um período de alta demanda, como a Semana Santa, quando o consumo costuma crescer. Com menos oferta, os efeitos já começam a chegar ao consumidor.
Diante do problema, especialistas e representantes do setor discutem alternativas. Uma das propostas é ampliar a comercialização de ostras processadas, como a carne cozida e inspecionada, reduzindo a dependência da venda do produto in natura.
Entidades do setor também cobram medidas emergenciais e políticas de longo prazo, incluindo acesso facilitado a crédito. Apesar da existência de linhas com juros zero, produtores consideram os valores insuficientes frente aos prejuízos acumulados.
