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25/05/2026 09h07

Chegada antecipada de baleias francas preocupa pesquisadores em SC

Presença dos animais já no início de maio vem sendo registrada desde 2023 e pode estar ligada ao aquecimento das águas na Antártica
Chegada antecipada de baleias francas preocupa pesquisadores em SC

A presença cada vez mais precoce de baleias-francas no litoral de Santa Catarina tem chamado a atenção de pesquisadores e levantado preocupações sobre os efeitos das mudanças climáticas nos oceanos. Neste ano, os primeiros registros ocorreram já no início de maio, algo que vem sendo observado com mais frequência desde 2023.

 

O primeiro avistamento de 2026 aconteceu no dia 6 de maio, quando uma mãe e um filhote foram vistos em Balneário Gaivota, no Sul catarinense. Poucos dias depois, em 17 de maio, outras quatro baleias adultas apareceram na região do Cabo de Santa Marta, em Laguna.

 

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Historicamente, a chegada das baleias-francas ao litoral de Santa Catarina costumava ocorrer entre os meses de junho e julho, padrão registrado desde os anos 1980. A mudança no comportamento migratório, no entanto, vem despertando preocupação entre especialistas.

 

De acordo com a diretora do Instituto Australis/ProFranca, Karina Groch, uma das hipóteses é que alterações climáticas extremas estejam afetando a oferta de alimento das baleias na Antártica, principal área de alimentação da espécie.

 

Segundo ela, oscilações no clima podem influenciar diretamente a disponibilidade de recursos essenciais para os animais, fazendo com que iniciem a migração mais cedo em direção à costa brasileira.

 

Pesquisadores do Laboratório de Mamíferos Aquáticos da Universidade Federal de Santa Catarina também acompanham os impactos do aquecimento das águas no comportamento das baleias. A oceanógrafa Raíssa Ferreira Alves explica que o aumento das temperaturas no Polo Sul contribui para o derretimento das calotas polares e prejudica a reprodução do krill, pequeno crustáceo que serve como principal alimento para as baleias-francas.

 

Com menos alimento disponível, os animais acabam antecipando a viagem para as áreas de reprodução e nascimento dos filhotes.

 

Além da mudança no período de chegada, pesquisadores observam possíveis alterações no ciclo reprodutivo da espécie. Karina Groch afirma que o intervalo entre uma gestação e outra parece estar aumentando em parte da população monitorada, chegando a quatro ou até cinco anos em alguns casos.

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Ela destaca que a recuperação das fêmeas depende diretamente da alimentação adequada, principalmente porque muitas chegam ao litoral catarinense grávidas para dar à luz.

 

Apesar de ainda não haver conclusões definitivas sobre os impactos das mudanças climáticas no comportamento das baleias-francas, os especialistas afirmam que o cenário atual serve como sinal de alerta e merece acompanhamento constante.


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