
Em vídeo publicado nas redes sociais neste domingo (21), Carlos Bolsonaro (PL) afirmou que "renasceu" em Santa Catarina ao justificar sua pré-candidatura ao Senado pelo estado. O ex-vereador do Rio de Janeiro, segundo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ressaltou ter encontrado "a paz" e a receptividade de um "povo de bem" no novo domicílio eleitoral, fixado desde dezembro na cidade de São José, na Grande Florianópolis.
Veja:
"Eu sei que tem gente que vai falar: 'mas o Carlos não nasceu em Santa Catarina'. Eu respeito quem pensa assim. Eu não nasci aqui, mas foi aqui que eu renasci. Encontrei a paz, a generosidade de um povo de bem que defende os mesmos valores que eu", disse Carlos no vídeo, de cerca de dois minutos.
Críticas ao governo federal e promessas de campanha
No discurso, o ex-vereador faz críticas ao governo federal e ao PT e promete atuar por "mais liberdade e menos burocracia" e na defesa dos interesses de Santa Catarina ao lado do irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Carlos detalhou a plataforma que pretende defender no Senado: "mais trabalho e menos dependência dos governos, mais liberdade e menos burocracia, mais mérito e menos privilégios, mais responsabilidade e menos populismo barato".
Ele também afirmou que seu projeto político vai além da representação catarinense. "Estou aqui para desafiar esse sistema perverso que se instalou em Brasília e, para isso, vai ser preciso sangue novo lá no Congresso Nacional. Sou uma ameaça para eles porque carrego Bolsonaro no nome. E Santa Catarina é uma ameaça para a esquerda porque é um estado que deu certo", declarou.
Carlos disse ainda que vai enfrentar o que chamou de "sistema perverso" de Brasília e rebateu os questionamentos sobre a ausência de histórico eleitoral na região, reforçando o discurso de identificação com os valores locais e prometendo "servir com muita humildade a cada um dos catarinenses".
Mudança de domicílio e racha no PL
Carlos Bolsonaro atuou por nove mandatos como vereador no Rio de Janeiro e oficializou sua saída da política fluminense no fim de 2025, ao confirmar a intenção de disputar o Senado por Santa Catarina — estado governado pelo PL, partido que também detém a maioria das cadeiras na Assembleia Legislativa e na bancada catarinense na Câmara dos Deputados.
A decisão, segundo apuração da imprensa, teve aval direto do ex-presidente Jair Bolsonaro e respondeu a uma limitação prática: não haveria espaço para dois Bolsonaro disputando vagas pela mesma unidade federativa no Rio de Janeiro, onde Flávio buscará a reeleição ao Senado.
A movimentação, no entanto, provocou um racha no PL catarinense. O acordo político anterior previa uma aliança entre PL e Progressistas, com vagas para a deputada federal Caroline (Carol) de Toni, do PL, e o senador Esperidião Amin, do PP. Com a entrada de Carlos na disputa, formou-se uma "chapa pura" do PL para o Senado, reunindo Carlos e Carol de Toni — o que deixou Amin de fora da composição oficial e gerou tensão entre lideranças locais. Internamente, chegaram a surgir manifestações de apoio a Amin, inclusive da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, enquanto a deputada Ana Campagnolo também criticou os rumos da escolha.
O lançamento oficial da pré-candidatura de Carlos contou com a presença de Flávio Bolsonaro e ocorreu em Florianópolis, no mesmo evento em que foram lançadas as pré-candidaturas de Carol de Toni ao Senado e do governador Jorginho Mello (PL) à reeleição no estado.
O cenário eleitoral mudou desde os primeiros levantamentos do início do ano. Pesquisa do instituto Neokemp divulgada em 17 de junho, com entrevistas realizadas nos dias 15 e 16 daquele mês, mostra Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro virtualmente empatados na liderança da disputa pelas duas vagas ao Senado em Santa Catarina: De Toni soma 48% das menções somadas (primeiro e segundo votos), e Carlos Bolsonaro aparece com 47,5%. Esperidião Amin (PP) vem na sequência, com 31,5%, seguido por Décio Lima (PT), com 27,3%.
A pesquisa também mediu a rejeição ao pré-candidato: 33,1% dos catarinenses entrevistados afirmaram que não votariam de jeito nenhum em Carlos Bolsonaro, o maior índice entre todos os concorrentes ao Senado — bem acima dos 1,9% registrados por Carol de Toni e dos 1,2% de Esperidião Amin. O levantamento ouviu 1.008 eleitores em 97 municípios catarinenses, tem margem de erro de 3,1 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, e foi registrado no TSE sob o número SC-05232/2026.
Levantamentos anteriores já indicavam essa tendência. Em abril, pesquisa do instituto Veritá apontava Carlos Bolsonaro na liderança, com 24,7% dos votos consolidados, seguido por Carol de Toni, com 23%. Já uma pesquisa da AtlasIntel, divulgada também em abril, colocava De Toni na frente, com 30,7%, seguida por Amin (20,1%) e por Carlos (18,3%). A oscilação entre os institutos reflete a disputa apertada e a polarização em torno do nome de Carlos, cujo sobrenome impulsiona a intenção de voto entre o eleitorado bolsonarista, mas também eleva sua rejeição fora desse núcleo. Na disputa pelo governo do estado, Jorginho Mello (PL) segue como franco favorito à reeleição em todos os cenários testados.
