
O Brasil vai construir a primeira fábrica de processamento em larga escala de pele de tilápia para uso médico no mundo. O projeto é fruto de uma parceria entre o governo estadual e o setor privado, contando com um investimento de R$ 52 milhões. As obras têm previsão de início para outubro deste ano, e a operação comercial deve começar em janeiro de 2028.
A tecnologia foi desenvolvida pioneiramente a partir de pesquisas da Universidade Federal do Ceará (UFC). O processo transforma a pele da tilápia — um subproduto que antes era descartado pela indústria alimentícia — em um curativo biológico de alto desempenho voltado para o tratamento de queimaduras e feridas complexas.
Atualmente, o laboratório de pesquisas da UFC prepara cerca de 600 peles por mês. Com a nova fábrica, a capacidade estimada dará um salto para 4,3 mil unidades por dia no primeiro ano de operação.
A inovação é considerada revolucionária por trazer mais conforto e eficiência ao tratamento. O curativo reduz a frequência de trocas, tornando o processo muito menos doloroso para os pacientes. Além disso, a aplicação da tecnologia pode gerar uma economia de até 52% no custo total do tratamento de queimaduras quando comparada aos métodos convencionais.
Após o cumprimento dos requisitos e a devida aprovação junto à Anvisa, a intenção do projeto é fornecer a tecnologia para atender diretamente à demanda do Sistema Único de Saúde (SUS).
