
O ex-delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel (PL), reconheceu que houve falhas na divulgação de informações sobre a investigação da morte do cão Orelha, em Florianópolis. Em entrevista a uma rádio de Criciúma nesta semana, após ser eleito deputado estadual com 48.130 votos, ele afirmou que a corporação realizou uma coletiva de imprensa antes do momento adequado e que a comunicação foi imatura.
“Ocorreram algumas conduções incorretas da nossa parte em relação à divulgação dos fatos. Fizemos uma coletiva de imprensa que não deveríamos ter feito, deveríamos ter esperado mais”, declarou. Ulisses ressaltou que não participou diretamente da investigação, mas atuou como porta-voz da Polícia Civil. Ele também negou ter utilizado o caso para obter promoção pessoal.
O episódio ganhou repercussão nacional, e Ulisses publicou 40 conteúdos relacionados ao caso em seu perfil no Instagram. O levantamento citado pela NSC Total aponta que as publicações representaram 42,5% das 94 postagens feitas pelo delegado no feed desde o início da repercussão. O Ministério Público também move uma ação contra ele, alegando que teria extrapolado a comunicação institucional para construir uma imagem pessoal e política.
Sobre a investigação da morte do cão, o Ministério Público de Santa Catarina pediu o arquivamento por falta de provas suficientes para responsabilizar os investigados. Entre os elementos considerados estão contradições nos depoimentos, imagens de câmeras de segurança e laudos periciais que apontaram uma doença óssea grave como possível explicação para as lesões. Conforme o órgão, não foi possível determinar com segurança a origem dos ferimentos.
A promotoria também solicitou o pagamento de R$ 200 mil por dano moral coletivo e uma multa que pode chegar a 24 vezes o salário recebido por Ulisses à época dos fatos. O ex-delegado afirmou que não se omitiu durante o caso e disse que foi alvo de críticas tanto por suposta falta de ação quanto por exposição excessiva. Ele ainda mencionou um possível movimento organizado para ampliar a repercussão do episódio, alegando que canais que falaram sobre o caso teriam recebido dinheiro de Daniel Vorcaro, ligado ao caso Banco Master.
Em nota, a defesa de Ulisses Gabriel afirmou que não houve ato de improbidade administrativa e que a atuação do ex-delegado respeitou a legalidade e as atribuições institucionais. Os advogados disseram aguardar o julgamento confiantes de que os pedidos apresentados contra ele serão considerados improcedentes.
