
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, afirmou ter destinado cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo ao financiamento de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As informações foram divulgadas pela revista Veja nesta sexta-feira (9), com base em áudios e documentos atribuídos ao empresário.
Segundo a reportagem, os valores teriam sido negociados com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e envolveriam o Instituto Lula, administrado por Paulo Okamotto. Vorcaro teria relatado que os pagamentos seriam uma contrapartida para facilitar negócios do Banco Master com fundos de pensão de servidores públicos federais.
O documentário mencionado é “Lula”, dirigido pelo cineasta norte-americano Oliver Stone. De acordo com a Veja, o relato foi apresentado à Procuradoria-Geral da República (PGR) como parte de uma proposta de delação premiada.
A Polícia Federal, porém, informou à CNN Brasil que rejeitou a colaboração por falta de elementos mínimos que dessem credibilidade às declarações. A PGR também teria considerado insuficientes as provas apresentadas, e o caso não avançou com base nesse relato.
A defesa de Vorcaro, por sua vez, teria argumentado que existem mensagens, registros de pessoas que teriam retirado o dinheiro e informações sobre locais e trajetos utilizados nas supostas entregas. A existência desses materiais, contudo, não significa que os pagamentos tenham sido comprovados.
Em declaração à Veja, Lula negou ter solicitado ou recebido qualquer vantagem financeira de Vorcaro, além de afirmar que não autorizou terceiros a receber recursos em seu nome. O ministro Alexandre Padilha também negou relação irregular com o ex-banqueiro.
Até o momento, as acusações divulgadas pela revista devem ser tratadas como relatos atribuídos a Vorcaro, e não como fatos comprovados judicialmente.
