
O incêndio de grandes proporções destruiu a Igreja Matriz São José, no Centro de Treze de Maio, no Sul de Santa Catarina, na manhã de domingo (11), e a fotógrafa Solange Santos, que havia feito um casamento no templo na manhã do dia anterior e produzido imagens que agora ganham valor de registro histórico, acompanhou o fogo de dentro de casa.
“Eu olhava ela incendiando da janela do meu quarto e eu chorava porque eu não podia fazer nada”, relata. Segundo os bombeiros, o primeiro chamado foi registrado por volta das 10h22, pouco depois do fim de uma missa, quando uma pessoa notou fumaça saindo dos fundos do prédio, perto da sacristia.
Quando as equipes chegaram, as chamas já haviam se espalhado pela estrutura, e o combate mobilizou oito viaturas de Tubarão, Morro da Fumaça e Criciúma, além dos Bombeiros Voluntários de Jaguaruna, com cerca de 44 mil litros de água e duas horas e meia de trabalho. Não houve feridos, e moradores conseguiram retirar imagens sacras, bancos e outros objetos antes que o fogo avançasse.
Os bombeiros recomendaram que a estrutura restante seja avaliada por profissional habilitado e pela Defesa Civil antes de qualquer liberação, e a Polícia Civil informou que já iniciou as diligências, com coleta de depoimentos e análise de imagens de câmeras de segurança, sem que a causa tenha sido divulgada.
No sábado, Solange conta que chegou antes das 9h, horário combinado com a noiva para a cerimônia das 9h30, e, ao encontrar o templo envolto em neblina, aproveitou a espera para fotografar a fachada, os detalhes internos e o altar, inclusive em preto e branco, um enquadramento que, nas palavras dela, “não teria feito em outros dias”.
Entre os registros estão a imagem de Nossa Senhora Aparecida e o relógio interno marcando a chegada pontual da noiva, enquanto Seu Chico, que chegou junto com ela, abria as portas da igreja.
A ligação da fotógrafa com o templo vem da infância, já que ali ela fez a primeira comunhão, a crisma e o próprio casamento, além de ter tido aulas de música, cantado no coral e tocado nas missas. “Logo ali que por tantos anos foi minha casa, meu local de trabalho e onde eu me ajoelhava pedindo tudo, tudo o que eu tenho hoje”, afirma.
Ela lembra que, nos 60 anos da igreja, o padre Lino pediu uma fotografia do templo para a casa paroquial e que doou um quadro à paróquia, e termina o depoimento com um desejo: “Nós vamos te reerguer pra que tu sejas capítulos lindos contados por outras famílias.”
