
O que deveria ser apenas um momento de pausa para o lanche transformou-se em um cenário de horror e em um caso de polícia na última quarta-feira (14), em Porto Alegre. Uma cliente que havia acabado de receber um bolo encomendado por aplicativo levou um susto ao descobrir um rato morto e totalmente incorporado ao interior do alimento — parte da massa e do recheio já havia sido consumida antes de o animal ser localizado no prato.
A denúncia formalizada pela vítima mobilizou imediatamente as autoridades de segurança pública e de saúde da capital gaúcha. Uma força-tarefa composta por agentes da Polícia Civil — atuando por meio da Delegacia de Proteção aos Direitos do Consumidor (Decon) — e técnicos da Vigilância Sanitária deflagrou uma inspeção rigorosa em unidades de uma rede de confeitarias na cidade, com alvos na Zona Sul e no Centro.
O cenário encontrado pelos fiscais nos locais de produção e venda superou as piores expectativas. Durante a vistoria técnica, as equipes de vigilância identificaram vestígios evidentes de fezes e urina de roedores espalhados por superfícies e bancadas onde os alimentos eram manipulados. Além da contaminação biológica direta, os agentes descobriram um estoque robusto de produtos com prazos de validade vencidos, que continuavam sendo utilizados nas receitas comercializadas para o público.
Diante do flagrante risco iminente à saúde pública e da gravidade das infrações constatadas, a proprietária dos estabelecimentos, de 41 anos, foi presa em flagrante no local. Ela responderá criminalmente por crime contra as relações de consumo, tipificado no artigo 7º da Lei 8.137/1990, que pune quem vende, tem em depósito ou expõe à venda mercadorias em condições impróprias para o consumo humano.
As unidades vistoriadas foram imediatamente interditadas pelos órgãos fiscalizadores, enquanto o material apreendido passou por perícia para dimensionar o risco sanitário a que centenas de clientes foram expostos.
