
A primeira audiência de instrução e julgamento do processo que investiga a morte de Catarina Kasten ocorre nesta quarta-feira (11), em Florianópolis. A estudante foi assassinada em novembro do ano passado enquanto passava por uma trilha próxima à Praia do Matadeiro.
A audiência está marcada para as 14h e deve contar com o depoimento de testemunhas indicadas pelo Ministério Público de Santa Catarina e pela defesa do acusado. Entre as pessoas que devem ser ouvidas está o companheiro da vítima, Roger Gusmão.
O réu também poderá prestar depoimento, dependendo do andamento das oitivas e da decisão de falar durante a audiência. Ele segue preso preventivamente desde o crime. A denúncia apresentada pelo Ministério Público foi aceita pela Justiça em 5 de dezembro de 2025.
Como o caso envolve crime sexual, o processo tramita em sigilo. O acusado responde por feminicídio, com agravantes de asfixia — apontada como a causa da morte — e pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Além disso, ele também foi denunciado por estupro com violência, agravado por ter sido cometido mediante emboscada, e por ocultação de cadáver.
O crime
Catarina Kasten tinha 31 anos e cursava mestrado em Estudos Linguísticos e Literários na Universidade Federal de Santa Catarina. Ela morava na região da Praia do Matadeiro e costumava frequentar trilhas e atividades ao ar livre.
Na manhã de 21 de novembro, por volta das 6h50, Catarina saiu de casa para ir a uma aula de natação na Praia da Armação. Durante o trajeto por uma trilha próxima à praia, ela foi atacada e morta.
Com auxílio de câmeras de segurança e fotos feitas por turistas pouco antes do crime, um jovem de 21 anos foi identificado como suspeito. Ele foi localizado e preso no mesmo dia, em casa, na região da Armação, onde confessou o assassinato.
O que caracteriza feminicídio
De acordo com a legislação brasileira, atualizada em 2024 com o chamado Pacote Antifeminicídio, o feminicídio ocorre quando a morte de uma mulher está relacionada à violência doméstica ou familiar, ou quando o crime é motivado por discriminação ou menosprezo à condição de mulher.
Segundo o Ministério Público, o crime cometido contra Catarina se enquadra nessa definição, pois o autor teria atacado a vítima ao desconsiderar sua autonomia e liberdade enquanto ela caminhava pela praia.
Penas previstas
O crime de feminicídio pode resultar em pena de 20 a 40 anos de reclusão. Quando há agravantes, como asfixia, a punição pode aumentar entre um terço e metade da pena.
Já o crime de estupro prevê pena de 7 a 12 anos de prisão, enquanto a ocultação de cadáver pode levar a uma condenação de 1 a 3 anos de reclusão.
