
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou 14 pessoas investigadas por participação em uma organização neonazista que atuava em Santa Catarina, São Paulo e Paraná. Entre os denunciados estão dois policiais e um advogado, apontados pelas investigações como integrantes do grupo.
A denúncia é resultado da Operação Nuremberg, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), que cumpriu 21 mandados de busca e apreensão em outubro do ano passado. A ação ocorreu em cidades dos estados de Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Sergipe.
Conforme o Ministério Público, os investigados foram denunciados pelos crimes de organização criminosa. Oito deles também responderão por acusações relacionadas à prática de racismo e apologia ao nazismo. O documento foi protocolado na última segunda-feira (15), mas ainda aguarda análise do Poder Judiciário. Caso seja aceito, os suspeitos passarão à condição de réus.
Segundo as investigações, o grupo possuía estrutura organizada, com hierarquia definida, regras internas e funções específicas para seus integrantes. Entre os principais membros estariam o líder da organização, identificado como o “Führer brasileiro”, uma escrivã da Polícia Civil de São Paulo, um policial militar paulista e um advogado responsável por prestar suporte jurídico ao grupo.
As apurações apontam que os integrantes utilizavam ambientes virtuais para disseminar conteúdos de ódio e ideias de cunho neonazista, além de promover intolerância racial, religiosa, política e sexual. Perfis falsos e fóruns online eram usados para divulgar mensagens supremacistas e recrutar novos participantes.
O grupo também mantinha encontros presenciais frequentes, nos quais discutia estratégias de expansão da organização e ações coordenadas. De acordo com o Ministério Público, havia cobrança de mensalidades obrigatórias, preenchimento de fichas de ingresso e produção de materiais exclusivos, como camisetas destinadas aos membros.
Os recursos arrecadados eram utilizados para custear despesas internas, adquirir materiais de propaganda e manter as atividades da organização. As investigações ainda indicam que alguns integrantes participavam de ações de vigilância e perseguição contra pessoas consideradas adversárias ideológicas, além da elaboração de dossiês sobre possíveis alvos.
Durante a Operação Nuremberg, realizada em 31 de outubro, foram cumpridos mandados nas cidades de São Paulo, Campinas, Taboão da Serra, Osasco, São José dos Pinhais, Curitiba, Araucária, Cocal do Sul, Jaraguá do Sul e Aracaju. Nas buscas, as autoridades apreenderam materiais com referências ao nazismo, além de armas brancas, facas e socos ingleses.
O Ministério Público destacou ainda que o grupo adotava protocolos de segurança digital e operacional para dificultar a identificação dos integrantes e o rastreamento de suas atividades pelas autoridades.
